A Língua Grega e o Evangelho

No Seminário, preparando-se para o Santo Ministério, o estudante dedica-se ao estudo das línguas hebraica e grega, entre outras. O Velho Testamento foi escrito na língua dos hebreus e o Novo na dos helenos. Estuda-se, tanto uma como a outra para fazer uma interpretação correta, uma vez que a revelação divina é gradativa e Deus, na sua onipotência, revelou-se aos homens através desses dois idiomas.
Os apóstolos usaram o Grego Koinê, isto é, o “comum”. Não foi, como afirma o Dr. William Carey Taylor, a linguagem do povo comum, mas sim o grego comum a todo o povo. Jesus, segundo Taylor, falou, na Galileia, o mesmo grego que se encontra nos papiros do Egito e que Paulo, o apóstolo, escreveu em Corinto e usou na sua pregação em Roma. Jesus usou, também, o hebraico e o aramaico, assim como os seus discípulos.
Jesus, depois da sua ressurreição, num encontro que teve com Pedro, perguntou-lhe: “Amas-me? (Agapas-me?) O substantivo é “ágape”, mas o verbo é “agapao” e quer dizer amor. É o amor verdadeiro, puro. Pedro, quando, Jesus estava sendo julgado, chegou a negar-lhe três vezes. Demonstrou que não era um homem convertido. Cristo concedeu-lhe a oportunidade para que ele se redimisse. Pedro, no entanto, responde-lhe, usando o verbo “phileo” que exprime “ter afeição”, “gostar”. Gostar e amar, no grego, são coisas bem diferentes. Jesus, no entanto, aceitou a resposta e disse-lhe: “Aumenta meus cordeirinhos.” Cordeiro é filhote de ovelha. Jesus preocupou-se com as crianças. Foi ele quem havia dito numa certa ocasião: “Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque das tais é o reino dos céus.”
Perguntou-lhe Cristo, segunda vez, usando o verbo que exprime o amor verdadeiro. Pedro, novamente, responde-lhe, usando o verbo que denota afeição, gostar. O filho de Maria aceitou e ordenou-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas”. Apascentar é guardar, doutrinar, ensinar, alimentar e deleitar as ovelhas. O escritor, que é inteligente, já pode imaginar e dar asas à imaginação. O pastor não deve ser apascentado, porém apascentar, exercendo todas as funções do seu cargo, pois já é apascentado pelo sumo Pastor.
Na terceira vez, Cristo, como bom Mestre, mudou de tática para que o seu discípulo rebelde caísse em si e perguntou-lhe, usando o verbo “phileo”: Simão, filho de Jonas, amas-me? Tens afeição por mim? Novamente, numa relutância enorme, demonstrando ser o mesmo homem sanguíneo que era, respondeu, usando o mesmo verbo “phileo”: Senhor, tu sabes que eu te amo. Jesus lhe disse: Aumenta as minhas ovelhas. Usei o verbo “aumentar”, uma vez que o texto grego assim sugere.
Depois desse diálogo, Jesus, o Mestre ressuscitado, profetiza a morte de Pedro e como ele glorificaria a Deus. Não deixou, no entanto, de usar as mesmas palavras que um dia usara, chamando-o para o ministério sagrado, como se encontra no início do Evangelho: “Segue-me”.

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