A visita da jovem senhora

Segundo semestre de 1956. Na quase primavera cartazes e alto-falantes, além da imprensa local (na época jornais e a PRD-9, rádio Difusora de Itapetininga) anunciava um recital (“show”) da cantora Ângela Maria aqui. Ângela era então o maior cartaz do rádio brasileiro (Nacional, do Rio de Janeiro e Mayrink Veiga idem), também maior vendedora de discos (daqueles de 78 rotações por minuto e LPs), recordista de atuações em todo o Brasil, enfim com muito pouco tempo de carreira artística (começou na rádio em 1952) já era um ícone.
A apresentação seria no Cine Aparecida do Sul (depois Fabrica Magister) na rua Coronel Pedro Dias Baptista. Também era conhecida como a voz feminina mais bonita do Brasil.
O anúncio causou arrepios em muitos dos seus admiradores itapetininganos e foi um dos fatos locais mais comentados nas semanas anteriores de sua apresentação. Tanto que um grupo de fãs (inclusive eu) não resistiu e foram esperar a cantora em sua chegada ao hotel onde se hospedaria, no caso o Vitoria (hoje: Itapetininga) na Saldanha Marinho. Ela viria, com seu chofer e instrumentista de uma outra cidade. Na época, Ângela Maria realizava uma excursão artística em dezenas de cidades paulistas e sua chegada estava marcada para a tarde.
À noite seria a apresentação, já com lotação esgotada. Naquele dia desmarquei estudos com colegas. Cursávamos a 4ª serie ginasial (hoje 9ªserie) do então Instituto de Educação Peixoto Gomide. Teríamos prova de Francês dois dias depois onde analisaríamos um texto do escritor Chateaubriand. A gramatica e a pronuncia da língua francesa não era nada fácil, mais as aulas da professora Leda Hungria eram admiráveis. Leda tinha uma excelente didática. A 4ª (9ª) serie do curso ginasial era difícil, muito difícil e preparava o aluno para cursos posteriores como o Normal (Formação de Professores Primários), Cientifico (Ciências Físicas, Matemáticas e Biológicas) e o Clássico (Humanidades). Naquele dia, meu tempo (e de outros fãs) seriam dedicados somente a “Sapoti”, apelido que o presidente da republica Getúlio Vargas deu a ela (uma fruta cor de jambo). O grupo de admiradores da cantora carioca na porta do Hotel Vitoria chamava a atenção dos que passavam. Um figurão da urber gritou: – “Parece que esse pessoal nunca viu mulher!”. Ao que um fã respondeu na hora: – “Como Ângela Maria, não!”. Outro exclamou: – “Se ainda fosse Silvio Caldas vá lá está aglomeração!”. Não era o chamado “Cabloquinho querido”, mas sim Ângela Maria, tão importante na música popular brasileira quanto.
Quando Ângela chegou eram mais ou menos seis horas da tarde e o espetáculo estava marcado para a 8 horas da noite. Cumprimentou sorridente as pessoas que a esperavam, dispensou os autógrafos por causa da hora e disse: – “Espero vocês lá!”. Então, com 27 anos de idade, Ângela era do tipo “mignon” (mais baixa que alta) com um corpo bastante torneado e um rosto bem brasileiro. Respondeu que sim quando lhe perguntaram se ela iria cantar o tango brasileiro “Mentindo” sua última gravação, seu mais recente sucesso.
À noite estávamos lá no Cine Aparecida do Sul para aplaudi-la. Foi apresentada ao público pelo locutor Rui de Moura, da PRD-9 (radio daqui) e acompanhada pelo violinista “Mão de Vaca” do Rio, que veio com ela. Quando ela entrou no palco foi acompanhada pelo cantor itapetiningano Almir Ribeiro que dois meses depois lançava seu primeiro disco pela gravadora Copacabana (a mesma de Ângela). No pós-espetáculo, nos bastidores ouviu de uma senhora que disse: – “Quem diria você visitando Itapetininga…”.

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