“Ainda uma vez, adeus”

Como ficara linda! Era mulher! “O vestido decotado sublinhava, admiravelmente, a gentileza do busto, o estreito da cintura e o relevo delicado das cadeiras”, como diria o poeta realista. Logo que me viu, lembrou-se do passado e, com um sorriso largo e de satisfação, disse: – Que prazer vê-lo. Não mudou nada. É o mesmo guapo rapaz. Ela usou palavras da época e da minha época.
Fiquei lisonjeado, mas sabia que havia um pouco de exagero, uma vez que o tempo é inexorável. Eu não era mais aquele que provocava suspiros. Os anos corroeram a minha face, como a traça, o papel. Conservava, sim, a mesma alegria, a mesma voz dos tempos idos, porém eu era outro. – “Deus colocou a eternidade no coração do homem”, disse eu, citando Salomão, o terceiro rei de Israel.
Ela colocou em mim aqueles olhos radiantes e eu fiquei a olhar para ela, como para uma filha. O meu amor fora platônico. A saudade, no entanto, era grande e foi, nessa hora, que ela se lembrou de uma reflexão que eu fizera com o seu nome e para ela, que estava em depressão, e recitou-a, sem gaguejar, como se fosse uma poesia:
Michelle, você está na fase dos sonhos, quando o passado não existe, o presente é uma quimera e o futuro uma esperança de alegrias sem par. Lembre-se de que você foi criada por Deus e para glória de Deus. Lembre-se de que você tem um coração cheio de amor e que bate dia e noite sem parar, independentemente de sua vontade, porque é formado de um músculo involuntário, mas dependente daquele que é eterno. Lembre-se de que você é importante, pois foi criada à imagem e semelhança de Deus, que é Onipotente, Onisciente e Onipresente. Lembre-se de que você é a alegria de um lar, de uma família e que todos a amam. Lembre-se de que você provoca sonhos e, sem você, alguém não é feliz. Lembre-se de que você é fruto de um amor conjugal passageiro, mas cuja fonte se encontra no amor eterno da morada celestial. Lembre-se de que você é ímpar, porém um dia formará um par com alguém que dirá numa declaração de amor: Você é osso dos meus ossos e carne da minha carne”. Lembre-se de que você é objeto do amor Divino e que Cristo morreu na cruz para lhe dar a vida eterna. Lembre-se do seu Criador, antes que venham os maus dias e chegue a dizer: “Não tenho neles contentamento”. Lembre-se de tudo isso e agradeça ao Criador que a criou, dotando-a de formosura, bondade e inteligência.
Logo que ela terminou, peguei-lhe na mão com a direita e, com a minha mão esquerda, apertei-a, sentindo o seu calor. Disse algumas palavras que não registro para poupar tempo e papel. Fiquei embasbacado pela emoção. Depois, antes que as lágrimas rolassem pela minha face, disse adeus. Fui embora, sem olhar para trás, quando me lembrei do poema de Gonçalves Dias, o poeta romântico: “Ainda uma vez, Adeus! ”

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