As aulas chatas de religião

Uso o vocábulo “chato” com certo temor. Aprendi, com o meu professor, Reverendo Armando Pinto de Oliveira, que jamais deveria usar a palavra “chato” e as suas derivadas. Ele dizia que o bom pregador não usa no púlpito gírias e palavras chulas.

Depois que saí do Seminário fui fazer o curso de Letras na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Itapetininga. O professor, Dr. Tortello, homem culto, doutor em Letras pela USP, pediu para que fizéssemos um trabalho sobre Gíria. Destacou os vários tipos, mostrando o seu emprego facultativo em certos casos. Foi daí que aprendi que a gíria não era tão maldosa assim.
Não uso a palavra chato, referindo-se ao inseto anopluro da família dos pediculídeos. Emprego a palavra no sentido de ser maçante, importuno, aborrecido e outros sinônimos. Foi com referência ao inseto que o meu professor, aluno de Eduardo Carlos Pereira, afirmou que não deveríamos usar. Ele tinha razão. Na igreja só se deve pensar nas coisas celestiais.

Nunca, como professor, deixei a minha aula ser maçante, porém sempre tinha uma piadinha para iniciá-la. Um dia cheguei na classe e diante da barulheira dos alunos da capital, disse, usando uma voz de trovão que Deus me concedeu: – O meu coração está cheio de …Os alunos silenciaram e eu completei: de sangue.
Laurinha, que era uma gracinha de aluna, disse com as mãozinhas em concha e os braços levantados, sorrindo: – De sangue, professor? Não poderia ser de amor?

Aproveitei o silêncio e respondi que sim e foi dessa forma que ensinei o que é um complemento nominal. Depois só foi exercício e mais exercícios. Com tanto trabalho em classe, os alunos ficaram quietos.

No meu tempo de criança, eu não gostava de assistir aquelas aulas chatas de religião. Depois, a professora, notando que eu ficava emburrado, deixava eu sair da sala, pois sem querer e, em silêncio, eu prejudicava a intercessão dos meus colegas. Era sempre aquele blablablá enfadonho, desfilando aquele rosário.
A pouco tempo uma senhora se queixou das aulas teológicas e disse que não aguentava mais ouvir uma expressão que muito amiúde o professor usava e perguntou para mim: Isso é de comer?

Eu, rindo, fiquei quieto e apenas respondi que era uma palavra moderna usada pelos teólogos para mostrar a modernidade do assunto.

Lembrei-me de um desejo infantil: – Desejo que o mundo decore esta quadrinha e basta: Deus amou o mundo, que foi eleito, que foi remido por Jesus, que morreu na cruz, que se tornou gloriosa para os cristãos. Louvado seja Deus- Pai. Louvado seja o Espírito Santo. Louvado seja para sempre o Filho encarnado de Deus. Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo tu e a tua casa. Ponto final.

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