CHEGA DE PAZ

Confesso que ensaiávamos um artigo pregando muita paz e prosperidade a todos, em 2014.
Não conseguimos. A utilização de um jato da FAB, para a realização de implante de cabelos, mudou-nos a opinião, sedimentada há décadas.
A paz e calmaria social só são úteis a povos civilizados, que contam com instituições sólidas e cidadania plena. Nada edificam, em povos subjugados e pouco ilustrados, como nós.
Fizemos a boa fama de povo ordeiro e pacato, quando sabem as esquinas que somos, em verdade, mansos e maliciosamente resignados. Consta que somos uma democracia, presidencialista, mas vivemos a mais descarada das ditaduras parlamentaristas.
Dizem as sondagens de opinião que somos, a maioria, honestos e trabalhadores. Honestos não elegem desonestos, e trabalhadores não são representados pelos que fizeram da política profissão.
Povos amadurecidos e civilizações respeitadas passaram por profundas crises, guerras e conflitos sociais. Possuem história, e aprenderam pela via nada pacífica dos embates.
Por aqui, toda crise é contornada, todo conflito é desprezado, e toda solução duradoura é postergada. Nosso poço não tem fundo.
Estando ou não no poder, quem manda, de fato, no Brasil, são os corruptos, os que iludem, os que malversam, os que empregam apaniguados e aparelham o Estado. Foi assim ao longo de grande parte de nossos cinco séculos.
Se o regime é fechado, os corruptos auxiliam o combate aos revoltosos. Se é, bem ou mal, aberto, os corruptos auxiliam a viabilização dos sonhos de poder.
A paz, em nosso meio, é maléfica. Se um jato da FAB pode ser utilizado para uma viagem destinada a um mero implante de cabelo, em nada assemelhado ao trato de assunto de relevância pública, a paz realmente não tem gerado soluções duradouras.
A cantilena, já a entoamos, de que a urnas fatalmente levarão ao respeito à cidadania, parecem, agora, fundo musical de conto de fadas. O resultado das urnas são reflexos de favores oficiais, ofertados com nome e sobrenome, produto de mágicas e peripécias marqueteiras e absoluta falta de educação de grande número de votantes.
A corrupção e os desmandos vicejam em ambientes pacíficos, e, quanto mais manso o povo, mais cruéis os mandatários. O ressarcimento, aos cofres públicos, do montante gasto na já famosa viagem do implante, não perdoa o malfeito, nem desestimula a repetição do inusitado.
Hospitais congestionados, segurança pouca, educação sofrível, proliferação irresponsável de gastos inúteis e cinismo à larga, merecem mais que atitudes pacatas e mansas. É chegada a hora das instituições da sociedade civil saírem de suas cavernas e acenarem para o fim da paz que escraviza e deprime.
Convém bater panelas e sair às ruas, paralisando o país enquanto a situação de descalabro e desonestidade perdurar. Estar parado é melhor que caminhar para o pior.

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