Cidade perde parte da memória histórica

Em razão dos novos tempos, já não resta quase nada em Itapetininga que recorde o seu passado. Até os prédios do fim do século XIX, abundantes no início das últimas décadas, praticamente desapareceram. Foram demolidos ou então completamente deformados por reformas que não respeitaram as suas características originais.
De acordo com professores e estudiosos do passado da cidade, poucos dos velhos e antigos prédios existentes tem alguma significação histórica, mas nem por isso são objeto de alguma forma de preservação.
Eles lembram as velhas capelinhas erguidas pelos tropeiros nos pontos onde pousavam e acrescentam que na cidade poucas pessoas sabem que Itapetininga era passagem obrigatória dos condutores de tropas que procediam do Rio Grande do Sul, com destino a Sorocaba, onde os animais eram negociados. A propósito, conhecido em toda cidade, o advogado e historiador José de Almeida Ribeiro diz que em Itapetininga ainda residiam dezenas de tropeiros, filhos desta terra, formando, em um passado não remoto, classe das mais laboriosas e respeitadas. Formavam uma categoria bem organizada unida e solidária. Inclusive mantinham, sem ajuda oficial alguma, um clube para atividades sociais e educativas. Situava-se em área da Vila Hungria e, posteriormente, fechada, sem qualquer esclarecimento.
O mais antigo prédio da cidade localiza-se na Rua Quintino Bocaiuva, por sinal denominada em eras priscas de Rua das Tropas. Lá funcionaram vários comércios, como armazém de secos e molhados, bar, barbearia, oficina e serraria. De propriedade da família Rezende, serviu como cenário do filme nacional “Éramos Seis”, e atualmente completamente abandonada, em estado dos mais precários, ocupado eventualmente por moradores de rua. O prédio tem aproximadamente um século e meio, e seu destino é complemente desconhecido, pois “seus proprietários jamais se pronunciaram a respeito”.
Hoje, a Igreja do Rosário, com 145 anos, em estilo colonial simples, é considerada também um dos prédios mais antigos. Foi fundada por Mestre Florêncio e denominava-se, quando construída – Igreja São Benedito – onde se realizavam várias festividades populares e religiosas.
Em processo de restauração, mas em ritmo dos mais lento e sem previsão para o seu término, a antiga Prefeitura, no Largo dos Amores com 150 anos e que também serviu de cadeia, é considerada, além dos prédios das três escolas da Peixoto, a última remanescente de uma Itapetininga que já não existe mais.

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