CORRUPÇÃO

Não é verdade que somos todos corruptos, à espera de uma boa oportunidade.
Não existe uma tendência nacional que torna desonestos os ungidos por algum poder. O roubo é uma invenção humana, e a corrupção um fenômeno mundial.
O que diferencia os povos é o tratamento que dão a seus corruptos. A maioria trata de trancafiá-los e empobrecê-los, enquanto outros chegam a sacrificá-los.
A corrupção, encontrando terreno fértil na impunidade, e sem reprovação explícita da sociedade, acaba entranhada nos meandros políticos e administrativos, integrando a paisagem como um elemento natural e incontornável.
Corruptos experientes já não possuem aspecto de bandidos, e são capazes de discursos moralizantes. São caridosos, auxiliam os pobres e ainda podem trajar véu, na missa das nove.
Enquanto a oposição, a polícia e a justiça tentam enquadrá-los, vizinhos, parentes e integrantes do círculo íntimo sabem que, com certeza, são corruptos. São raros os corruptos de escol, que levam uma vidinha franciscana enquanto fortunas os esperam, em paraísos fiscais, metais preciosos ou obras de artes.
Corruptos são, na verdade, ladrões da pior espécie, que roubam milhões sem um tiro, facada, sequestro ou arrombamento. Roubam os serviços básicos que deveriam estar disponíveis à população, como saúde, educação e segurança.
O pior dos cenários ocorre quando a possibilidade de atos de corrupção vira moeda de troca entre os poderes. É o último estágio do apodrecimento social, comum em ditaduras, nascentes ou consolidadas.
A corrupção não é um fenômeno que atinge somente os órgãos oficiais, sendo comum em iniciativas privadas. Compradores podem receber agrados por uma ou outra escolha, e até mesmo a posição de algum produto nas gôndolas podem envolver subornos.
Testemunhas podem atestar o que não viram, e negar o que viram, em troca de uma ou outra vantagem desonesta. Funcionários privados podem vender informações estratégicas, ou conseguir atestados inverídicos.
Jornais podem fazer, da omissão de algum fato, ou realce indevido de outro, fontes de patrocínio. Blogueiros e ativistas de rede sociais podem difundir fatos ou versões inverídicas, de maneira remunerada. Motoristas de prefeituras podem entregar caminhões de terras, com veículo oficial e no horário de serviço, por módicas quantias.
Nas artes, a corrupção vitima o mérito, patrocinando obras e artistas de pouca relevância. Até professores podem corromper-se, na correção de provas, e elaboradores de questões de vestibulares e concursos possuem vasta clientela, quando corrompidos.
A corrupção merece tratamento preferencial, em todos os ambientes humanos. A população precisa abandonar a postura de ficar indignada com a corrupção distante e ser tão complacente com a próxima.

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