Cuidava da Família como a de um Templo Sagrado

Toda biografia é uma exposição contada ou escrita possível de uma vida ou de várias vidas, já que todas elas se desenvolvem num espiral de acontecimentos que se sucederam continuadamente de lutas e momentos bons e maus.
A introdução pode bem ser aplicada ao um respeitável senhor, nascido há 125 anos, na cidade de Capivari, no Estado de S.Paulo. Seu nome Fraterno de Melo Almada e, que desde menino, teve de trabalhar arduamente, primeiramente como auxiliar de cartório em Capivari e depois na cidade de Laranjal Paulista, onde a família se dedicou às atividades agrícolas.
Como oficial de Registro Civil, dadas suas tendências para exercer funções cartorárias, por sete anos desempenhou encargos com proficiências. Nasceram nesse período os primeiros quatro filhos do casal. Seu desejo ardente, já que não teve condições de conquistar um diploma, volta-se inteiramente para uma aprimorada educação dos filhos: Queria legar um diploma para cada filho.”
Em Itapetininga, onde passou a residir, a partir de 1922, em um prédio pertencente a Zico Stragburg, entre as ruas Campos Sales e Julio Prestes, exerceu o cargo de coletor federal e posteriormente, em 1929, por decreto do então governador do Estado, Júlio Prestes, foi “promovido na serventia vitalíca do Ofício de Registro Geral de Hipotecas, com anexos de protestos de letras”, escrivão de Júri e execuções criminais, hoje Cartório de Registro de Imóveis e Anexos.
Durante o movimento constitucionalista de 1932, prestou toda colaboração como guarda das repartições públicas, em plantão noturnos, como também colocando sua residência a disposição dos combatentes do famoso Batalhão “14 de Junho”, onde bravos soldados paulistas eram atendidos, sempre com a dedicação da esposa Francisca Alves Almada (D. Lili).
Probidade, transparência, honestidade e eficiência, foram os pilares mestres, que alçaram Fraterno de Melo Almada como Oficial de Registro, sempre acatando e respeitando a deteminação de seus superiores – sem submissão -, conquistando a simpatia e respeito de toda região itapetiningana.
Escrivão eleitoral por dezenas de anos, era um auto-didata, porquanto quase sem escolaridade, redigia com clareza e estilo, jamais ferindo a língua pátria, além e dedicar grande parte de seu tempo de sobra à leitura, notadamente ao jornal “O Estado de S.Paulo”.
Silenciosamente e sem qualquer espécie e vaidade, apoiou fraternamente vários movimentos de benemerência de Itapetininga, sendo um dos fundadores da Casa da Criança, juntamente com o Cel. Toniquinho Pereira, sua esposa Angelina Tureli Vieira e Maria Ravacci. Cristão e piedoso, dedicou-se de alma e coração às atividades pela contrução do novo Templo Presbiteriano, na rua Monsenhor Soares, na década de 1940, ao lado de João Lupion, Waldemar Wey, João Alves e outros. Pela sua fiel Palavra a Deus exerceu por longos anos o Presbiterato, culminando com homenagens recebidas como “Presbítero Emérito”.
Pai de numerosa prole, sempre declarou que “não deixaria herança material, mas enquanto vivo lutaria para que cada filho tivesse um diploma de curso superior, que o habilitasse para uma vida decente e justa. Com as bênçãos divinas e muito sacrifício conseguiu seu intento, dando a seus filhos homens: um médico, dois diplomas do magistério, às filhas, e sete de bacharéis em Direito, todos horando e dignificando a profissão que abraçaram e se destacando na área da magistratura.
Homem afeito ao lar, colocava todo seu amor à família, mantendo agradável e edificante diálogo, procurando sempre orientar e infundir em cada um a respeitosa e boa educação dentro do alto espírito cristão.
“Uma família feliz e exemplar”, era o pensamento uníssono, de grande parte da população itapetiningana, quando ao soar das dezoito badaladas emitidas pelos sinos da Igreja Matriz, cair da noite, ocasião em que era observado Fraterno de Melo, e sua esposa Lili caminhando lentamente pelas ruas da cidade, acompanhados com intensa alegria pelos filhos que idolatravam os pais.

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