De repente: torres em Itapetininga

A primeira emissora de televisão no Brasil foi inaugurada em 18 de setembro de 1950 – a PRF-3 TV Tupi de São Paulo. Era este o seu prefixo, criada por Antônio Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, presidente do então maior império das comunicações neste país, os Diários Associados (emissoras de rádios, jornais, revistas (entre estas, “O Cruzeiro”, na época, a maior tiragem, a mais vendida do Brasil). Lenda ou não, dizem que Chateaubriand tão atarefado em produzir um estúdio televisivo que esqueceu de importar aparelhos de televisão dos Estados Unidos para que o público (na época, o paulistano) pudesse assistir aos programas.
Daí trouxeram cem deles e espalharam pelas lojas do Centro da cidade de São Paulo. Tempos difíceis. E no início, as imagens não eram nítidas (em branco e preto), corriam pela tela, apagavam de repente, enfim… E o circuito de transmissão era muito pequeno, a televisão “pegava” inicialmente, apenas em alguns locais da cidade paulistana. Era para poucos privilegiados.

Mas, dois anos após a inauguração alguns itapetininganos não se conformavam em não receber os sinais televisivos e de ficarem excluídos de receberem essa nova comunicação da metade do século XX. Daí se empenharam em buscar meios para conseguir este intento. Como? De que maneira? Somente erguendo em seus quintais (naquela época, havia!) potentes e altas torres de transmissão. De repente surgiram algumas, já em 1952, como a de Osvaldo Piedade (que possuía uma casa de aparelhos eletrônicos na Rua Monsenhor Soares, próximo ao Clube Recreativo Itapetiningano, a “Instaladora Brasileira”) e a de Ernesto Villar, na Rua Campos Salles, no quintal de sua casa, próxima a esquina com a Rua Júlio Prestes. Algum tempo depois, era Alcides Rossi (então proprietário da Rádio Difusora de Itapetininga) erguia em sua casa, na José Bonifácio (hoje Calçadão), mais uma torre.

E graças ao seu “Ernesto”, eu, ainda um menino de onze anos de idade e que frequentava sua casa, pois morava na mesma rua e era amigo dos seus filhos, pude assistir, maravilhado, programas televisivos que depois se tornariam clássicos como o de Mazzaropi, ao vivo (não havia ainda “vídeo-tape”) sempre as quartas-feiras à noite e nesse dia da semana a casa dos Villar ficava repleta. Mazzaropi, na TV Tupi, sempre deu muita audiência. Deliciava-me também com “O Sítio do Pica-Pau Amarelo” produção de Tatiana Belinski e Júlio Gouveia, um programa autêntico, sem a parafernalha tecnológica que existe hoje e que descaracterizou o espírito do seu criador Monteiro Lobato.

A “Emília” da também TV Tupi, vida pela atriz Lúcia Lambertini ficou clássica. Também “Grande Teatro Tupi” com Lima Duarte, moço ainda, mas dando show de interpretação. Enfim, eram poucas ainda as torres, mas Itapetininga já estava correndo em busca da modernidade. A democratização da imagem no receptor (a televisão para todos) surgiu, nesta cidade em 1963, com antenas bem menores. Na época, estava no auge a TV Excelsior de São Paulo, bastante nacionalista, do grupo Simonsen, mas que foi fechada, logo depois, por pressão da ditadura cívica-militar. A Família Simonsen apoiava João Goulart. Em 1973 surgiram as cores já com a Globo dominando o Brasil. Itapetininga, também, é logico.

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