Depois das tristezas, o sorriso dos cães

No seu inolvidável poema “Pitôco”, Nhô Bentico, grande vate sertanejo, exaltava o feito heroico do cachorrinho que morreu salvando-o da picada de uma cobra.
Poesia épica, consagrando não só o autor, como o cachorrinho, artífice de sua defesa, e colocando o animal como o maior amigo do homem. Cães famosos existiram e continuam a existir sob a face da terra. Heróis foram Rin-Tin-Tin astro hollywodiano que encantou, por várias gerações, milhares de crianças e adultos pelas suas espetaculares aventuras e também dotado de doçura e abnegação. Atuam os cães como verdadeiros antídotos contra a depressão, e provectos ou de meia-idade sentem-se felizes com os cães que possuem em suas moradias.
Cachorros de todas as raças ou espécies caminham pelas ruas, acompanhados ou em caminhada solo, adentrando templos religiosos ou em residências e estabelecimentos comerciais, com portas abertas.
Há ainda, como existiram antigamente, os cães que acompanham toda movimentação de moradores de rua, principalmente pelas praças ou vias públicas da cidade, inclusive, repousando placidamente ao lado do eventual companheiro. São companheiros inseparáveis dos solitários, sem lar, sem teto e sem qualquer abrigo.
Em Itapetininga residiu por dezenas de anos o célebre Juvenal, morador na então chamada Vila Camarão, visto constantemente perambulando em todos os cantos da cidade e tendo por companhia um fiel cão. E também, na mesma época, outro morador, muito popular na cidade, apelidado com o nome de um personagem da TV, costumava vender e doar cães que “subtraia” nos quintais da cidade”.
Cães, de pequeno, grande ou médio porte, calmos ou ferozes se constituíam em sincero e leal guardião das casas ou em propriedades agrícolas, alertando com latidos, uivos ou intenso barulho, pessoas estranhas que transitam pelo local.
Existem os atraentes cães adestrados exibindo-se em circos e em espaços públicos, executando tarefas interessantes como “sentar, deitar, pegar e buscar, jogar bola, dançar, pular e outras empreitadas surpreendentes” com admiração dos espectadores. Em Itapetininga tivemos por longo tempo alguns adestradores, e entre eles o notável Orlando Leonel, apaixonado por cães e cavalos, “conhecendo-os até o fundo de suas almas”. Possuía grande paciência e tino e adestrava qualquer raça ou espécie de cães. Inclusive, pela sua competência, foi convidado para trabalhar em um clube paulista ensinar cachorros pertencentes aos associados da entidade. Ele, possuía calma, delicadeza e firmeza, atributos exigidos para alcançar o sucesso.
Em décadas que já se foram, e muitos ainda se lembram, a Prefeitura local mantinha o serviço de “caça aos cães que se encontravam vagando pela cidade. Uma carrocinha apropriada era onde se prendiam os cães. Saulo Cadela (nome fictício) era o responsável pelo aprisionamento dos animais. Magro, de botas, chapéu de pano, laçava com maestria e destreza todos cachorros que encontrava nas ruas. Crianças e adultos, quando divisavam com a carrocinha, espantavam os cães ou recolhendo-os em suas residências para não serem apanhados. Saulo Cadela, ereto, passos firmes, exibindo o cão que se debatendo para se soltar do laço, era colocado na carrocinha-prisão.
Não era bem visto pela população e muitos peroravam com palavras ofensivas contra a atuação de Saulo. A cena que descrevo abaixo se tornou famosa por muitos anos, terminando quando Saulo seguia a cavalo para sua residência, próximo à Vila Monteiro.
Ignora-se por que razão, em determinado trecho, o animal que o conduzia estancou abruptamente e Saulo foi atirado ao chão. Teve morte instantânea e comentada, então, por todos habitantes de Itapetininga. “Os cães sentiram-se vingados, comenta hoje Fábio Luiz Tatit, que na época presenciou a cena.

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