Deus é o mesmo

Depois dos sessenta e cinco anos de vida, eu me tornei mais reflexivo. Antes não pensava no fim da existência humana, embora visse os meus amigos e parentes partindo desta vida para a outra. Agora, penso, medito e sonho. Se eu penso, logo existo, já dizia o filósofo René Descartes. (Cogito, ergo sum). Eu comecei escrevendo para mim e para os outros. Antes escrevia teses, sermões e meditações, hoje escrevo reflexões.

Doei, outro dia, um livrinho de orações para a Kalu. Ela, quando recebeu o opúsculo, escrito por mim, ficou contente, embora fosse de outra religião, e sorrindo, me disse que iria ler com prazer. Eu, sorrindo, disse que o prazer era meu, uma vez que uma pessoa de outra comunidade iria ler a minha obra. Foi nessa hora que ela afirmou, com um sorriso no rosto: O Deus é o mesmo.

Eu não poderia deixar de confirmar, sacudindo a cabeça para cima e para baixo, pois a Karolina dera uma resposta, fruto de uma reflexão profunda e sábia: Deus é o mesmo. Lembrei-me, nesta hora, dos irmãos Caim e Abel ou Abel e Caim, mas calei-me. Os dois irmãos conheciam o mesmo Deus e sabiam da História da Queda e da Redenção, uma vez que o ensino era oral e passava dos pais para os filhos. Caim ouvira que Deus fizera vestes de salvação para os seus pais, com o derramamento de sangue, visto que as vestes eram de peles. Aprendera, embora, empiricamente que sem derramamento de sangue não há salvação. Sabiam que Deus vestira os seus pais com aquelas roupas. Sabiam que depois disso Deus os expulsou do Éden e, numa reunião Divina, disse o Senhor Deus: “Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal; assim, que não estenda a mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva eternamente. O Senhor Deus, por isso o lançou fora do jardim do Éden, a fim de lavrar a terra de que fora tomado”. (Gênesis 3:22).

Eles, Caim e Abel, conheciam a História, mas resolveram cultuar a Deus de um modo diferente. O cronista da criação afirma que “no fim de uns tempos, trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta; ao passo que de Caim e de sua oferta não se agradou”. (Gênesis 4).

Deus agradou-se da oferta de Abel, pois o cordeiro que ofereceu representava Jesus, que é o Cordeiro de Deus que iria se encarnar para a salvação de todo aquele que crê.

Alguns acham que o erro de Caim foi a duplicidade: Por fora, ato de culto; por dentro, coração afastado de Deus. Por fora, homem religioso; por dentro homem divorciado de Deus, procurando sanar o mal com o culto exterior. Acham, ainda, que Deus se agradou do sacrifício de Abel, pois foi um fato interior, um fato do coração: a fé. Não discordo das opiniões, mas creio que Deus se agradou do sacrifício de Abel, pois foi cruento, isto é, com derramamento de sangue.

Isaías, o profeta, muitos anos depois, disse: “Regozijar-me-ei muito no Senhor…, porque Deus me cobriu de vestes de salvação”. (Isaías 61:10) Jesus, quando instituiu o sacramento da eucaristia, disse: “Isto é o meu sangue derramado em favor de muitos”. Jesus é o Cordeiro de Deus. (Mar.14:24)

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