Dois assuntos

Primeiro: Ruy Castro (Parte I)

No bem assistido programa “Roda Viva” da TV Cultura de São Paulo, na penúltima segunda-feira, sete, o entrevistado foi o escritor e jornalista Ruy Castro sobre um assunto bastante polêmico, ou seja, a Semana de Arte Moderna de 1922, em fevereiro no Theatro Municipal de São Paulo. A Semana foi realmente revolucionaria. Para a cultura brasileira. A referida Semana que depois, através dos anos despertaria mil e mil comentários, teses, discussões nas colunas literárias de jornais (principalmente) e revistas paulistanas (e depois de todos país) aconteceu nas noites de treze a dezessete de fevereiro segunda a sexta – feira e na tarde do dia quinze, quarta-feira, no principal teatro da cidade paulistana.
A Semana de 1922 envolveu nomes um tanto já conhecido (e que depois se tornariam célebres) nas letras musicas eruditas, cultura como: Mario de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia, Graça Aranha, Victor Brecheret, Di Cavalcante, Tarsila do Amaral (autora de Abaporu, o quadro mais caro do país hoje), Anita Malfatti, Heitor Villa-Lobos, Manuel Bandeira, Cândido Portinari, entre outros. O evento foi financiado por (entre outros) Washington Luís (futuro presidente da república) e membros da elite da burguesia paulistana como Paulo Prado.
Pois é, a Semana de Arte Moderna de 1922 pretendia implantar no Brasil, uma cultura totalmente nacionalista (e futurista) livre de estrangeirismo, principalmente da francesa que na época dominava o cenário da pátria. Todos os temas relacionados com a Semana tratavam de conteúdos nacionais na base do “Tupy or not tupy” personagens do folclore brasileiro como o homem rural, tribos indígenas, seres fantásticos da selva amazônica, a negritude vinda da África, enfim o homem brasileiro surgido das três raças. O discurso, música, poesias, apresentadas, aparentemente eram diferentes do academicismo vigente (o lirismo, o parnasianismo, e outras escolas) não foram recebidas unanimemente. Alguns da plateia presente aplaudiam outros vaiavam e foi por aí as apresentações todas.
O entrevistado do “Roda Viva” o carioca Ruy Castro (autor de varias obras já celebres da literatura nacional como “O anjo pornográfico – a vida de Nelson Rodrigues” e “Estrela Solitária – a vida de Garrincha”) e colunista da Folha de São Paulo renega o hoje centenário evento paulista como revolucionário culturalmente. O contrário Ruy considerou que as apresentações acontecidas no sentindo de inaugurar um Modernismo brasileiro foi uma atitude romântica e pífia. Para Ruy Castro o verdadeiro Modernismo (uma nova cultura) já estava acontecendo desde o início do século XX no Rio de Janeiro. Em terras Guanabara sim é que haviam verdadeiros modernistas. Para o escritor carioca São Paulo era ainda uma província meio rural e que não possibilitava nenhum movimento de vanguarda. Ele critica um por um dos membros do grupo de 22. E isto já tinha demostrado numa de suas últimas obras “Metrópole à beira-mar” (o Rio moderno dos anos 20), editora Companhia das Letras, 2019. Ruy cita que Oswald de Andrade, um dos símbolos do grupo, falava mal dos participantes, até do politico itapetiningano Júlio Prestes de Albuquerque, que Oswald considerava como um representante da política cafeeira e latifundiária que enterrava o progresso da nação.
A parte II, você confere na edição da semana que vem do Jornal Correio de Itapetininga.

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