Douto o quê?

Segunda-feira, recém-chegado de viagem a São Paulo, liguei a TV no canal 99 para dar uma olhadinha na sessão da Câmara Municipal. Notei que uma expressão é usada com frequência pelo 1º secretário, presidente e demais vereantes: “ouvido o douto plenário”!
Douto plenário! Não é uma expressão muito pomposa? Encafifado com a frase tantas vezes repetida, fui consultar Antônio Houaiss… E tava lá… “douto- aquele que possui extensos conhecimentos, que é muito instruído em matéria de história ou literatura; erudito, que demonstra erudição…
Aí, pus-me a pensar: essa Câmara não está se “achando” muito, não? Quantos entre os edis voçoroquenses merecem, de verdade, o título de doutor?
Ouvindo seus discursos, apartes, reclamos e aplausos, nenhum brilho de sapiência ilumina o Paço Municipal desta triste Voçoroca! Ao contrário, com raríssimas exceções, ouve-se um palavreado comum, em nenhum momento há um relâmpago de erudição… Por consequência, o adjetivo douto parece meio pedante, fora de lugar… Ou será que só porque alguém é eleito vereador transforma-se, de repente, em homem culto?
Ser doutor é coisa séria, minha gente! Não é jogo de faz-de-conta, não! Mas, voltando ao Houaiss, doutor é aquele que, numa universidade, foi promovido ao mais alto grau depois de haver defendido tese em alguma disciplina literária, artística ou científica, em direito, em música…
Salta à vista que está mais do que na hora de nossa Câmara Municipal descer das nuvens e botar as botinas no chão. Ser vereador não eleva ninguém à categoria de sábio. Todos permanecem, queiram ou não, pessoas de linguagem simples, com vocabulário pobre e sem encanto algum. E, por isso, quanto menos falar em público, melhor pra eles…
Ao invés de usar a expressão “douto plenário”, não seria mais autêntico dizer: “ouvido os representantes do povo”? Não seria muito mais realista? O linguajar que se apresenta no momento tem alguma coisa de piada!
Agora, se a Câmara Municipal insiste em usar expressões eruditas e hiperbólicas eu tenho uma sugestão, por que não usar a frase: “auscultados os egrégios arautos da plebe!”
Chique barbaridade, né mesmo?

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