E o banco atua como clube da comunidade

São algumas centenas de bancos colocados e vistos nas diferentes praças públicas da cidade, servindo deleitosamente à lucubrações, romances, rixas, intrigas e transações comerciais, além, é claro, de tertúlias entre jovens estudantes.
De cimento ou madeira, com encosto ou plano, bem conservado, alguns em estado deplorável, ilustrados como sempre, com caprichadas propagandas comerciais, os bancos constituem a alma dos Largos, como os da Avenida , dos Amores, da Santa Casa, do Rosário, da Matriz ou da Aparecida e de outros diversos implantados em vilas ou bairros locais.
Em torno dos bancos, reúnem-se, enfim, toda camada da população itapetiningana e forasteiros, como diria preclaro e saudoso professor Juvenal Paiva Pereira, titular da cadeira de sociologia da inolvidável “Escola Peixoto Gomide”, em suas magistrais aulas. Os bancos, igualmente, instintivamente exerciam o papel de congraçador do ser humano, numa demonstração de apego à vida e ao próximo.
O banco sempre se conduziu como ouvinte silente das juras de amor, do rompimento de casais ou reatamento de amores desfeitos, da solidificação de contrato comercial entre empresários, e também de divisão de produtos subtraídos por meliantes e marginais.
Pois é na área deste assento comprido e estreito, de várias formas, cores e qualidade que congraça também os infortunados, abandonados, maltrapilhos, bons viventes, daqueles tomados por eflúvios alcoólicos ou viciados, que frequentam diariamente. Alguns, portando garrafas contendo aguardente, bebendo pausadamente de gole em gole. Dissertam sobre variados assuntos, gesticulam espalhafatosamente, riem, enraivecem, brigam entre si, não se preocupando, absolutamente com nada que ocorre em volta de seu mundo.
Acercam-se de transeuntes – com humildade ou audaciosamente – solicitando auxilio pecuniário pela oferta ou retornando-se por vezes enfurecidos.
Por paradoxal que pareça, ouvindo atentamente aqueles considerados “deserdados da sorte”, surpreende-se com o otimismo que têm com o futuro, pois revela seu amor à existência. Afirmam, nas conversas, que ainda pretendem, com a ajuda divina, mudar completamente de conduta, regenerando da existência que vêm levando, e trabalhar, procurando ser útil nesta vida.
Cenário recorrente é deparar com um cidadão de idade provecta, sentado em um banco, com a cabeça levemente abaixada, mãos trêmulas entre as pernas, absorvido em pensamentos. Talvez, lembrando um pouco de coisas boas ou ruins que passaram ao longo da jornada de sua vida, já transcorrida longamente.
O banco enfim, faz parte integral da cidade, porque lá se ouvem histórias de rir, de sentir e de pensar.

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