Em defesa do cavalo

Quarta feira, de manhã, eu precisava transportar uma estante para outro endereço e na hora decidi: vou chamar um carroceiro. E fui… Na Avenida Peixoto Gomide, em frente ao Cofesa, lá estava ele, ao lado de sua carroça e, claro, seu heróico ajudante, o cavalo… Nem precisei falar muito, o moço, de pronto, respondeu: é pra já, vamos lá agora, suba aí…
Enquanto me ajeitava na boléia, ao lado do condutor, passei a observar seu diligente auxiliar… Era forte, parecia bem tratado… Logo, pôs-se a trotar manso e decidido… Seguiu pela Praça Gaspar Ricardo e percebi que o valente dirigia-se em direção a um bebedouro bem em frente à antiga Estação Ferroviária… Fazia um calor de Saara e pensei comigo: “judiação, ele tá com sede e vai tomar um pouco d’água antes de continuar sua jornada…”.
E o valoroso animal aproximou-se tranquilamente do cocho para saciar-se… Mas, ché, abanou a cabeça e ficou imóvel aguardando nova ordem! Foi aí que eu olhei a água, aliás, alguma coisa que um dia teria sido água… Um lodo verdolengo, infestado de insetos mortos e detritos… Um nojo! Acho que nem no inferno, alguém daria algo assim a um pecador! Senti um nó na garganta! Quase solucei…
O gentil cavalo, ao qual foi negado água, afastou-se calmamente do lugar, trotando, subiu pela Rua Paulo Ferraz e pegou o rumo da Alfredo Maia… Indignado, perguntei ao cocheiro se faz muito tempo que o recipiente está assim, tão abandonado! E ele, de pronto, respondeu: “há mais de dois anos, o da Praça da Aparecida também está ao deus-dará, todo mundo reclama, reclama, mas o pessoal da Prefeitura não tá nem aí”!
No trajeto até minha casa, pus-me a pensar: coitadinho do muar, ele queria apenas beber um pouco d’água antes de seguir com seu trabalho… Ele também tem alma…! Está junto de nós desde que começamos nossa jornada sobre a Terra, esteve presente em todos os nossos momentos, nas guerras, nas festas… na manjedoura… Mas esta cidade, que foi fundada por tropeiros, não tem a delicadeza de manter limpa a água que sacia sua sede!
E o carroceiro também tem culpa nesse crime… Sabedor que as fontes d’água estão sujas, ele poderia muito bem carregar um pequeno balde e pedir ajuda em qualquer lugar da freguesia. Duvido que alguém negue água limpa a um cavalo-operário!
Ele também é filho do Divino-Santo-Pai!

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