Em silêncio da passagem do ano

Pode-se afirmar convictamente que este ano novo foi recebido na cidade, quase toda em silêncio, sem aquele agradável sabor que ainda havia de esperança. Sem o espocar dos fogos de artifício (que antigamente se comprava na Tabacaria Bittar), e faltando, também, o ribombar dos sinos de nossas igrejas. Sem festas, sem empolgação. Nada de atrativo em Itapetininga, apenas pífias comemorações nas residências, sem qualquer repercussão.
Talvez em razão das notícias desoladoras que anunciaram para 2021, o povo transpareceu com aspecto de poucas esperanças , não só em Itapetininga, mas em todo o mundo. Crise maior na saúde, na economia, na política.
Bem diferente daqueles gloriosos dias , em que os habitantes demonstravam alegria intensa e a certeza de que o ano novo traria a felicidade, saúde e emprego para todos.
Todo comercio se regogizava, se irmanava com sinceridade, bem diferente destes novos tempos , quando o ser humano trata de si próprio, desconhecendo as dificuldades de seus amigos, levando a vida voltada apenas para seus interesses.
Um ano bem diferente daqueles passados.
Épocas passadas o ano novo era recebido com preces ao criador e a totalidade da população e vizinhos da cidade comemoravam a data com a sensacional e cristã festa em louvor à Nossa Senhora de Aparecida , que durante mais e um século se realizou na vila de mesmo nome
Milhares de pessoas de toda região e estado visitavam a festa durante toda a semana que antecedia o reveilon. Havia a grande procissão , formada na Av Peixoto Gomide com grande fervor religioso.
Todas as classes sociais participavam da festa, as famílias passeavam pelas barracas e consumiam as bugigangas que seriam convertidas em lucros para a paróquia.
Os leilões de pequenos animais, oferecidos pelos devotos, eram das atrações mais concorridas. E o parque então!!! As crianças de todas as idades formavam filas para a Roda Gigante, onde lá de cima podia se avistar toda a pequena Itapetininga. No Carrossel, os namorados faziam juras e combinavam o futuro e em frente à Velha Capelinha, os fieis e os não tão fieis, faziam promessas para o ano que havia de chegar. Na meia noite do dia 31 de dezembro, cantavam hinos e soltavam fogos em nome da tão saudosa esperança .
Após a demolição da antiga Capelinha ergue-se um ovo templo dedicado à nossa Senhora de Aparecida do Sul, que movimenta as operações religiosas. Neste ano da pandemia, tudo se transformou em lembranças do passado e o grande fato foi agradecer estarmos vivos e orarmos por nossos mortos

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