Falando sério

É preocupante a crise brasileira.
Diminuem os empregos, cai a produção, experimentamos de novo o amargo sabor da inflação, sucateiam os serviços públicos e rareiam os investimentos, fábricas de riquezas e empregos futuros. Estamos empobrecendo.
A crise econômica, por si só, acaba sendo contornável, e já o fizemos uma dezena de vezes, desde 1.500. Contudo, a crise econômica, e todas as outras que com ela convivem, é consequência, e não causa de nosso desastre.
Nossa crise é política e moral. Vivemos sob o constante impacto da descoberta de novos e intermináveis antros de corrupção, agora bilionários.
Instituições são maculadas em nome da governabilidade, com nomeações barganhadas por apoios legislativos. O legislativo, já pouco prestigiado no entendimento popular, entrega-se de corpo e alma ao fisiologismo e vazio ideológico.
Altas personalidades da república encontram-se sob suspeição, dividindo cárceres com antigos ícones da iniciativa privada. Grandes empreiteiras aliam-se a políticos pequenos, assaltando bens públicos.
Existe um vazio de lideranças, e um contínuo esforço para ridicularizar a imprensa livre e plural, quando impossível colonizá-la. Legiões de militantes assumem ares de radicais religiosos, negando o óbvio e pregando providências desastrosas.
Andamos, pobres que somos, prestigiando e financiando obras e obras em países cujos governantes apresentam alguma familiaridade ideológica. Tentamos apagar a história, censurando até Monteiro Lobato, com seu Sítio da Pica Pau Amarelo.
Nossas grandes obras, lançadas com forte impacto midiático, como milagreiras, jazem inacabadas ou escandalosas. O paraíso, na visão simplista e eleitoreira de nossos dias, repousa no consumo sem estrutura e sem alicerce no aumento da produção e capacidade de adquirir via ganhos pessoais, não benesses oficiais.
Governantes sem credibilidade e sem qualquer liderança fora dos locais de culto partidário, revelam-se incapazes de remediar a crise por eles criada, e seguem aos soquinhos, buscando preservar o mando conquistado sabe-se lá como. A ordem não é corrigir rumos, mas desacreditar os que ousam apontar as distorções e desonestidades do poder.
O país vem sendo dividido, mas não está sendo fácil incutir o ódio racial, econômico, ideológico e até religioso, entre os brasileiros. Como em toda crise, líderes natos começam a sair das sombras, e culturas e tradições revivem, como que buscando a sobrevivência.
O governo já não governa, e aumenta a cada dia o fosso que separa os palácios da população. A última batalha será impedir o aparelhamento de nossa Justiça e o sufocamento da Polícia Federal e Ministério Público. Aí será o caos !

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