Imagem pessoal

Soa lógico que, antes de serem conhecidas, as pessoas sejam julgadas pela imagem que transmitem.
Cachorros parecem dotados do poder de diagnosticar defeitos e virtudes, ao primeiro contato, como que alertando o amigo, para um eventual erro de avaliação. Convém não alimentar boas expectativas, de alguém recebido com alguma rosnada não habitual.

A busca de uma boa imagem é um direito pessoal, alimentado pela valorização escravista da aparência. Em alguns casos, poucos, a boa aparência é buscada para satisfação íntima.

Carecas desde a ascendência, quando inconformados, fazem da vida um périplo em busca do fiozinho perdido, começando pelo uso de qualquer produto anunciado como milagreiro, e terminando com o inevitável implante ou indisfarçável peruca. Energia e desgastes emocionais seriam facilmente evitados pela simples admissão, como natural, da calvície.
O advento do silicone finalizou a época dos enchimentos externos, que moldavam sutiãs e glúteos. A mídia anuncia, com elevada audiência, a colocação de quilos e quilos de silicone, nas partes em que a natureza, sábia, economizou.
Cirurgias plásticas, meramente estéticas ou efetivamente reparadoras, permitem ao portador de nariz agigantado tomar café sem o uso de canudinho, e até mesmo conferir aspecto atraente a feição originalmente aterradora. Não convém julgar as necessidades e soluções alheias, na busca de uma aparência julgada necessária.

O envelhecimento é um processo natural, branqueando cabelos, encurtando passos e enrugando a pele. A luta contra as marcas do tempo acaba por torna-las mais evidentes.

Em sociedade, a busca por uma boa aparência pode ser substituída, com vantagens, pela adoção de sinais externos de riqueza. Ninguém parece feio, dirigindo a Mercedes do ano, e qualquer mulher linda parece no máximo bonitinha, chegando em uma Kombi 1975, com a placa presa por arame.

A escravidão das aparências requer resignação e acatamento. Quando tentamos tomar um café expresso, em alguma padaria, intuitivamente o funcionário traz, em copo americano, o café envelhecido e morno da garrafa térmica. Nas sapatarias, somos sempre recebidos com a saudação: “ não temos Havaianas 45”. Quando estamos no jardim, os que chegam pedem que chamemos o dono da casa.

Inesquecível o episódio em que fomos buscar os filhos na escola, e um aluno, simpático japonesinho, de uns cinco anos, perguntou, com extrema naturalidade: “você é bêbado ?”. As consequências sociais da aparência divertem.

Difícil é lidar com as aparências de honestidade e boas intenções, que ameaçam-nos a todos, diariamente. Não raro, a virtude reside em aparências pouco festejadas, e boas novas costumam vir de onde menos esperamos. Malandros costumam identificar seus semelhantes de imediato.

Convém dar um crédito, não definitivo, à intuição, ou estar sempre acompanhado pelo cachorro da família.

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