INSEGURANÇA E INFLAÇÃO

Pesquisas indicam que a segurança é hoje a principal preocupação dos brasileiros, apesar do descontentamento geral com as áreas de educação e saúde.
A conclusão das sondagens de opinião soa lógica, pois só a sobreviventes são permitidas a pouca educação e precária saúde. A insegurança deixou de ser uma sensação individual, eis que elevada a unânimidade social.
A insegurança é um stress coletivo, que carcome o bem estar de todos. Convém notar, quando da verificação das prioridades oficiais ao longo de nossos poucos séculos, que jamais foi encarada como inflacionária, não frequentando as preocupações das poderosas áreas econômicas e financeiras do Estado brasileiro.
As despesas com segurança privada e aparatos os mais diversos elevam os custos de famílias e empresas. Ocorrências policiais inibem o turismo, afastam investimentos, chegam a impossibilitar o comércio, desvalorizam imóveis, elevam os custos dos seguros e seguem deixando um rastro de sequelas, tão onerosa aos bolsos quantos aos ânimos.
A insegurança afugenta médicos, professores, alunos e até mesmo carteiros, gerando grotões isolados e convulsos. Ricos, milionários e bem remediados montam caríssimas estruturas de proteção pessoal e patrimonial, e nem assim experimentam boa sensação, pois sabem que continuam expostos a criminosos mais sofisticados e melhor municiados.
Em muitas regiões, até mesmo a agricultura familiar, tão referida em discursos e juras as mais diversas, acaba inviabilizada pela repetição e perpétua iminência de ações criminosas. Muitos agricultores passaram a residir em centros urbanos, mantendo com menor presença a atividade produtiva.
Pobres e desvalidos não escapam, e são as vítimas mais indefesas das ações criminosas, públicas e privadas. Estão expostos em casa, no transporte, no mercadinho, no trabalho e até quando presos persistem inseguros. Caixas eletrônicos deixam de ser uma comodidade, para figurarem como explosivos potenciais.
A cidadania e o próprio Estado de Direito sucumbem com o engrandecimento da criminalidade, e até manifestações coletivas afugentam cidadãos pacatos, agora submetidos à ação de grupos oriundos dos mais diversos porões, interessados em sufocar protestos populares.
A segurança é ponto de partida para qualquer projeto, nacional, estadual ou municipal, e sem ela nenhuma obra ou ação alcança utilidade. Convém aparelhar e profissionalizar os órgãos públicos de repressão, investigação e inteligência, sem os exóticos e infrutíferos expedientes de premiação baseada em índices de ocorrências criminais.
Convém colocar em primeiro plano a sociedade, vítima do demagógico discurso, pseudo-humanitário, de que todo criminoso é produto de exclusões sociais, como se as drogas, a cobiça, a impunidade e a própria maldade humana não existissem.
Convém dar, à segurança, a mesma relevância dada ao câmbio, reservas, juros, índices, contextos econômicos, bolsas de valores e tantas outras precupações financeiras e econômicas. A insegurança, que gera infelicidade, é também inflacionária.

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