Intermediários do amor. Poucos, mas existiam aqui

Gentil e atencioso com quem quer que fosse,cumprimentava fidalgamente, levantando levemente o chapéu, em sinal de respeito. Cabelos pretos, lisos, auxiliado pela famosa “Glostora”. Bicodoce se assemelhava a um argentino, aliás, nação que admirava pela elegância do povo e pela embaladora música que produzia.
Afirmava convictamente que já estivera em Buenos-Aires, capital portenha e a cidade recebia o visitante abrindo ante seus olhos o leque encantado de suas ruas em tabuleiros de xadrez, mostrando-lhe, orgulhosa, a silhueta dos brancos arranha céus refletidas nas águas do Rio da Plata. Orgulhava-se de ter percorrido Buenos Aires extasiado de alegria da melhor vida noturna do continente, a lapides de suas noites de verão quando os bandoneons soluçam a música argentina cheia de nostalgia e encanto. Para provar, mostrava, sempre a quem se interessasse, o LP “Assim Canta Buenos Aires”, de autoria de Alberto Castilho e sua Orquestra, datado do ano de 1940.
Nosso personagem, também jogador profissional de “cartas”, freqüentando os salões de jogos do “Venâncio, Recreativo, 13 de Maio”, e algumas vezes a “Sociedade Italiana” e outros locais, era de origem de família conhecida e distinta na cidade, assíduo freqüentador das “Casas suspeitas” ou “lupanares” de Itapetininga que se localizavam em pontos “longínquos do centro da cidade”. Mantinha forte relação com as “donzelas”, respeitando-as e sempre sendo respeitado, porque entendia “serem elas dignas de toda admiração pelo trabalho que desenvolviam e sem qualquer perturbação à ordem pública”.
Comentavam-se, na época, que Bicodoce mantinha algumas “donzelas” sob seu domínio e que as explorava, sempre que podia. Também circulavam rumores que ele articulava encontros de garotas “para aventuras amorosas”, recebendo propinas pelo trabalho que realizava.
Apesar disso, poucos eram os que praticavam esses atos ilícitos e imorais. Eram chamados, com certo desdém, de “cafetão, proxeneta ou gigolô”. A propósito, em S. Paulo, Miguel Falabella dirige o musical “Memórias de um Gigolô” recria uma S.Paulo que se perdeu, peça teatral baseada no livro escrito por Marcos Rey, falecido em 1999.
Lançado em 1968, “Memórias de um Gigolô” é a crônica da face noturna da capital paulista, muito diferente da exuberância exibida ao longo do dia. Aqui, Marcos Rey recupera os tempos áureos da boemia, na qual tipos ordinários se movimentam em ambientes escuros, à caça de Paixões incontroláveis que os levam, muitas vezes, a cômicas situações.

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