Na plateia com Jô Soares

No ultimo quatro, numa quinta-feira, recebemos a triste notícia do falecimento do artista múltiplo Jô Soares. Múltiplo porque era um comediante, apresentador, escritor, roteirista, músico, pintor e algo mais. Um homem muito bem relacionado com a atualidade, com os acontecimentos e com os fatos do passado do Brasil e do mundo. Era uma das inteligências da televisão tupiniquim. No seu “Programa do Jô” tanto no SBT como na Rede Globo conseguiu atingir quase quinze mil entrevistas, o que é um feito. Nos seus “um beijo do Gordo” era um “talk show” perfeito. Conhecedor de várias línguas, entrevistava personalidades estrangeiras que passavam pela sua poltrona.
Seus personagens nos programas humorísticos da TV Globo nas décadas de 1970 e 1980 ficaram na história da televisão. Um deles, o Reizinho, na verdade, em muitas vezes parodiava o ditador de plantão da ditadura civil-militar (no final, mais militar). Semanalmente o Reizinho (que manipulava seus súditos), criticava os atos antipatrióticos destes generais. Era uma crítica tão bem feita que, muitas vezes passava sem receber o crivo da Censura Federal que cerceava em muito a criação dos que escreviam histórias. Tristes tempos para tantos autores que escreviam na mídia impressa, ouvida e visualizada.
Ao contrário dos que muito pensam, o personagem Capitão Gay (que naturalmente se lembram) não era homofóbico, mas sim uma oportunidade de popularizar o termo “gay”, desfazendo o sentido até então trágico na imprensa brasileira. Afinal, o riso que tal personagem provocava nos telespectadores parecia vir de um elemento humano, normal, sem grandes mistérios e sem o sentido trágico que a mídia até então apresentava. O Capitão Gay era um ser normal que apenas seguia seu comportamento e inclinação diferente dos heterossexuais. Além de tudo, Jô Soares com seu programa de entrevistas animava quem o assistia. Principalmente uma grande ala da chamada “melhor idade”, aposentados que não tinham (muitos!) compromissos no dia seguinte.
Sua saída da TV Globo deixou vários “órfãos noturnos”. Gostavam da estrutura do programa: o conjunto musical, a entrada do comunicador, suas primeiras falas (geralmente cômicas) e a maneira como apresentava os convidados.
Em 1994, levado pela incansável Leomira Camargo Nunes, participei de uma excursão de itapetininganos que incluía também o jornalista Alberto Isaac e sua esposa Eza Abrão Isaac. Neste dia, o auditório lotado no SBT recebeu, entre convidados, atores que iriam estrear a novela “Éramos Seis” na mesma emissora. O nome de Itapetininga foi ventilado várias vezes. Como vocês sabem, o romance de Maria José Dupré trata de uma família itapetiningana cuja filha após o casamento vai residir em São Paulo. Na história televisiva (como no romance) volta e meia aparecem os familiares da heroína, entre estes, o mais versátil Olga (ou “Orga”) e seu noivo, o também itapetiningano “Zé da Farmácia” (Osmar Prado). A heroína foi vivida pela atriz Irene Ravache.
No final do programa, logicamente fomos conversar sobre alguns nomes do elenco para dizer que éramos de lá, e contamos um pouco como era Itapetininga no início do século vinte. Feliz coincidência!
Em 2002, sempre levados por Leomira, voltamos a sentar nas disputadas poltronas do animador, agora na TVG Globo como sempre mais bem equipado a nível bem no estilo do “espírito global”. Mas tanto no SBT como na TV Globo, Jô Soares foi sempre o mesmo: irreverente, folião, alegre, simpático, animado, mexendo o tempo todo com o auditório, palpitando sobre tudo, conectado na realidade e mostrando a sua infalível inteligência.

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