Nívea, a paixão pelo “lar” continua

Respeitável dama, admirada em todos os segmentos da sociedade itapetiningana, de família luminosa e honrada, nada melhor quando referir-se aos “guarnieris”, cujas qualidades de esposa, mãe, avó e amiga constituem sempre o índice de uma natureza singular.
Não conseguiu o tempo modificar- lhe o temperamento senão aprimorá-lo na sua existência de bondade e virtude, de modo que a consideração que todos lhe voltam descreve uma sincera e grande estima.
Originária de família do mais alto escalão da dignidade, onde pontificava sua progenitora Iracema Guarnieri, uma das mais célebres professoras da cidade, Nívea já se destacava desde tenra idade, em preocupar-se com o bem-estar e felicidade do próximo – independente de classe social.
Devotada religiosa – tanto que uma de suas parentes dedicou toda sua vida à Ordem Beneditina – Nívea teve sempre seus olhos voltados para a legião de desafortunados, apiedando-se do sofrimento das pessoas, notadamente das crianças sem parentes ou amigos. Assim procedia nas escolas onde lecionou por longo tempo e assim prosseguiu também com ações benéficas nesta Itapetininga que a viu nascer.
Fato trágico que ficou marcado na história local, ocorrido nos anos 1985. Trata-se de um forte temporal que desabou inesperadamente em Itapetininga, e uma criança morreu afogada no Ribeirão do Chá. O episódio abalou a cidade, pois a mãe precisando trabalhar era obrigada a deixar dois de seus filhos menores com uma garotinha de 7 anos em casa.
Após as chuvas as crianças saíram para ver o rio, quando uma delas caiu, perecendo frente aos olhos dos irmãos. Nesta época não havia absolutamente nada em Itapetininga para meninas ou meninos acima de sete anos, uma vez que as creches existentes recebiam apenas crianças de até seis anos.
Constatou-se, então, que muitos e muitos menores de 7 a 14 anos, ficavam pelas ruas, em casa com “padrastos” ou amigos. Muitas eram abusadas sexualmente, passavam fome, sofrendo vários tipos de agressões e acabavam se evadindo das escolas nos primeiros anos fundamentais, pois não tinham acompanhamento e nem apoio de quem quer que fosse.
Foi então que a Paróquia Nossa Senhora dos Prazeres – a nossa Matriz – através do novo pároco Pe. Mário Sampaio Donato sensibilizou-se com o lamentável fato, e apoio de algumas paroquianas destacando-se entre elas Célia Teresa, decidiu acolher as meninas no salão paroquial, enquanto suas mães trabalhavam. Durante vários meses elas ficaram no salão paroquial no período em que não estavam na escola “Major Fonseca”. Nesse período recebiam de voluntárias, como Célia Teresa Rodrigues Soares Hungria, Silvia Bentivenha, Nívea Guranieri e outras, o esforço escolar, brincavam, aprendiam boas maneiras e comportamento social.
Em 1986 Padre Mário inaugurava o Lar “Célia Teresa”, cujo prédio pertencia a Paróquia, empreendimento realizado com recursos próprios e auxílio provindo da Alemanha.
O Lar tem capacidade para comportar mais de cem meninas. Desses 30 longos anos de proficiência existência, a entidade – uma das mais organizadas e eficientes da cidade e região – 28 anos devem-se a competência, capacidade e amor de Nívea Guarnieri ao lar, tempo em que se encontra como presidente.

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