Nós que amávamos Shirley Temple

A imagem da menininha, aos olhos deles já formados e considerados pré-adolescentes ou jovens, não saíra do pensamento daqueles esperançosos seres de Itapetininga nos anos de 1935 a 1939.
Pequena, graciosa, olhos verdes e cabelos cacheados, corpo frágil e suave, palavras doces, embora em linguagem americana de Hollywood. Desta forma todos os garotos, na idade entre 10 a 16 anos eram movidos pela inteira paixão à artista, símbolo da terra do cinema. Vivíamos então uma existência repleta de ilusões, pois como esquecer aquele angelical rostinho?
Os inúmeros meninos de Itapetininga dificilmente deixavam de assistir filmes da simpática Shirley Temple, o sucesso absoluto da época. Assim, na tela branca dos cines São Pedro, na Campo Sales, Ideal, no Monsenhor Soares ou São José na rua Venâncio Ayres, vibravam e se emocionavam deslumbrando com “A Mascote do Regimento”, “Olhos Encantadores”, “A Pequena Orfã”, “Hedi”. Cantava, sapateava e interpretava como autêntica soberana das telas.
Arrebatava os corações dos garotos de Itapê, que comentavam entre si os pendores artísticos de Shirley e entre eles Paulo e Ruy Mendes, José Carlos de Oliveira, os Yareds do Bar Rodovia, Linda Abadala, Francisco, Maria Nazaré e Maria de Lourdes (apelidada de Shirley Temple itapetiningana), Helena da Padaria São Francisco (do Largo dos Amores), Paulinho Zagots, Boris Guidugly, Tonzinho, Zito, e Célio Guarnieri, todos residentes na área da Praça dos Amores e outros como Alcir Viana, Nelo Leitão, Xuca, Edson Galvão, Ary Codorna e Ary Camargo.
Enamorados, sonhando constantemente com a talentosa e atraente Shirley Temple, a estrelinha do mundo teve centenas e centenas de admiradores, tanto que diversas crianças nascidas naquela quadra dos anos trinta e quarenta foram batizados com o nome dela. A grande pequena artista, na verdade, era maior que os filmes dos quais participara e seus sucessos da infância perduraram por dezenas e dezenas de anos. Ela morreu na última terça-feira aos 85 anos.
E, um dia antes, cerrava os olhos definitivamente para o mundo a estrela brasileira Virginia Lane, considerada então pelo presidente Getúlio Vargas “a vedete do Brasil”.
Cantora, artista cinematográfica nacional, atuando ao lado de outros astros famosos do país, Virginia Lane se notabilizou como destaque inconfundível no Teatro Revista e um dos seus maiores sucessos “Sassaaricando” foi gravado em cinco países estrangeiros e cantado em todo território nacional.
Virginia Lane, participou com muito êxito de 37 produções, sem jamais tentar outros gêneros que não aquele em que se movia como peixe n’água. Suas famosas pernas foram decantadas em prosa e versos por todo Brasil pelos maiores vates brasileiros; diversas crônicas foram escritas por literatos como Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade, Antônio Maria e também por Armando Nogueira e Nelson Rodrigues.
A grande vedete esteve de passagem por Itapetininga nos anos 1950, quando se dirigia de trem para uma temporada artística no Sul do Brasil. Na oportunidade foi cumprimentada calorosamente pelos itapetininganosAstor Barth, Miguel Calux, Eurico Ayres Martins, Adélio e Célio Forones, Zito Gavião, Malatesta, Carlos Conceição e Jacinto Moura.
Considerada talentosa e cativante ao extremo, e certo de possuir as invejadas pernas, sentia-se orgulhosa pelo título – não se inibindo de exibi-las para gáudio de todo povo por onde passava.

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