O brilho do futebol está deixando o interior

Cineasta dos mais categorizados e cronista esportivo, de uma capacidade invulgar, Ugo Giorgetti, em um de seus apreciados artigos escreveu que ninguém mais torce pelos times do interior, a começar, principalmente, pelos próprios habitantes da cidade. A cidade, seja de qualquer porte, é a primeira a abandonar o clube quando ele entra numa fase particularmente ruim e começa a desmoronar. A afirmação, embora triste e melancólica, retrata perfeitamente a realidade do futebol praticado na maioria das cidades do “interland brasileiro” por quanto, conforme palavras de Giorgetti, “o futebol do interior não tem nem dez anos de vida”.
Contam-se nos dedos os que permanecem fiéis a seus times, como Piracicaba – com o seu XV – ou então o bravo Linense e também em Sorocaba com o tradicional São Bento. E , em especial, o Ituano, que hoje disputa a final do Campeonato Paulista com o Santos. Em Lins – cuja equipe tem como ardoroso torcedor o nosso comerciante Zécaborba Soares Hungria – os fiéis torcedores do Linense jamais abandonaram, mesmo quando ele disputou a 2ª divisão, e hoje o resultado é a sua triunfal volta a Primeira divisão e isto com galhardia e orgulho da cidade.
Grandes e famosos clubes estão e situação das mais precárias e na “iminência de se transformarem em saudades” e um futebol que encantou torcedores. Se isso ocorre nas consideradas metrópoles ou cidades de grande porte, não é difícil deduzir o que acontece em nosso vasto interior, que mantem esquipes do “nobre esporte bretão”.
Diversos clubes, tradicionais no cenário esportivo, estão desaparecendo, ou definitivamente desapareceram.
Não existem mais nenhum sinal de Ourinhense, da cidade do mesmo nome, da Prudentina ou Corinthians de Presidente Prudente, velhos e queridas agremiações que integraram divisões especiais da FPF por diversos anos. Assim como XV de Jaú, do famoso ponta-direita Guanxuma; a Avareense e Atlético de Avaré; o Taubaté FC; o Radium de Mocóca; as equipes da Ferroviária e a Assizense; a Associação e a Ferroviária de Botucatu; o Fronteira de Itararé, o Santana de Itapeva, como igualmente o ADA de Angatuba que existia em suas fileiras o centro avante Miranda, craque que integrou o Departamento de Estradas de Rodagem Atlético de Itapetininga, em seus áureos tempos. Todos conhecidos dos esportistas de Itapetininga, por quanto enfrentaram, em embates memoráveis e por vários anos, em partidas amistosas ou em campeonatos oficiais: o CASI (Clube Atlético Sorocabana, Associação Atlética Itapetiningana ou DERAC).
Essas pequenas-grandes equipes, valorosas em todos os sentidos, foram vítimas desses novos tempos, pois dívidas se acumularam e hoje, como é do conhecimento, “jogadores não se sensibilizam mais com as camisas que defendem”. O dinheiro fala mais alto e quase nenhuma empresa ou particular deseja encampar compromissos, “onde não haja nenhum retorno financeiro”.
Os aguerridos clubes, orgulhos do itapetiningano, deixaram há muito a prática do futebol profissional, dedicando-se, alguns, palidamente, a torneios de veteranos ou então ao setor amadorístico. Duas pequenas escolas destinadas ao ensino do futebol funciona, respectivamente nos estádios do CASI e do DERAC, procurando aprimorar “os meninos para possíveis contratações em esquadras profissionais”.
Enquanto isso os estádios locais vão continuar vazios, talvez por dezenas e dezenas de anos e a esperança repousa no surgimento de algum “mecenas”, a fim de ressuscitar o maior esporte popular do mundo, tão glorificado, nesta terra e que foi denominada de “Escolas”.

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