O carnaval de ontem, nada a ver com o de hoje

Texto publicado no livro – Vivas Memórias – vol. 2

Isto já faz bem pra lá do tempo. Na verdade, talvez, nem tanto assim, mas acontece que as coisas boas sempre deixam a impressão de terem acontecido quase ainda nos dias atuais.
Os clubes existiam e realizavam bailes. Recreativo (ex-operário), com o seu circunspecto porteiro sr. Pintinho, o 13 de Maio (já saudoso), sob a direção de Toledo da Vila Santana, e o solene Venâncio Ayres com o irascível Marcilio e o risonho João Guimarães como porteiros. Quatro dias de intensa e frenética folia animados pelas marchinhas das mais vibrantes e o cordão do Puxa-Sacos, Casta Suzana, Loirinha, Camisa Listada, Mamãe eu Quero, Aurora, Quem Sabe Sabe Confeti, Tem Nego Bebo gi Turma do Funil, Boêmio, Ala-lá-Oh e outras álacres que pontinavam nos salões, com orquestras regidas por Benedito Pompei de jesus; Edil Lisboa, Caetano lanaconi. Os foliões, em sã alegria e alguns fantasiados, principalmente de piratas, Zorro, Imperador Ming, marinheiros e piratas, regurgitavam como Miguel Calux, irmãos Badin – Camilo, Jadir e Celso, Osvaldo Cardoso Nelson Ferraz Tatit, Caetano Cariani e Godo, Mauro Levi, Fiúca, Maria de Souza, e Anésia Jardim e posteriormente Roberto Guimarães, Carlos Sacco, Ninho Werner, José Leonel, Aristeu e Duda e Terezinha Gavião e outras centenas e centenas.
No Largo dos Amores, formavam-se verdadeiras correntes de serpentinas. No edifício Guidugli, o principal do Largo, o alto-falante, lá em cima colocado, fazia ecoar as músicas carnavalescas sob a locução dos famosos Murilo Antunes Alves (um superdotado na radiofonia nacional) e depois Helio de Araújo incentivando ainda mais os já entusiastas foliões.
Eram os carnavais dos duelos de lança-perfume comprados na Casa Armênia ou Irmãos Lotf, ou na barraca de Carlos Conceição, iniciadores de muitos namorinhos e até atividades mais consequentes, quando os rapazes (almofadinhas) tinham como alvo as moçoilas atingidas pelos esguichos de seus rodos metálicos (lembram-se?). O jogo de lança perfume era uma espécie de teste. Se a mocinha fizesse cara feia e recuasse ante o esguicho gelado e fino, já se sabia que “daquele mato não saía coelho algum”
Carnaval do “você me conhece?”, trotes passados por grupos de caras escondidas e cujo humor ia do dito espírito a mais deslavada grossura. A exceção dos cordões carnavalescos do 13 de Maio ( que falta faz), orientado primeiro por Átila – proprietário de uma engraxataria próxima ao finado cine Olana – e logo após pelo funcionário do Centro de Saúde, Alfrino, não havia os desfiles carnavalescos com escolas de samba e carros alegóricos.
Havia também, à época, os foliões aproveitando os três dias em que nada é censurado, para dar expansão aos seus pendores histriônicos, à sua vocação para a irreverência. Era o imitador de Carlitos, às dezenas; os fantasiados de mulher grávida, que passavam abordando todos os homens com escândalo; o que se vestia sinistramente de preto e que ia de um lado para o outro sem dizer uma só palavra, limitando-se a parar diante das pessoas.
Na rua, igualmente, abrindo os festejos carnavalescos, tonitruava pelas ruas saindo da Avenida, a Bandinha regida pelo legendário Arthur Matarazzo. Apelidada carinhosamente de furiosa, passava pela Campos Salles, pela rua Júlio Prestes e chegava ao seu destino: Largo dos Amores, o tradicional ponto de referência da cidade.
A partir dos anos 1960 implantou-se na cidade o carnaval de rua, com desfiles de carros alegóricos sob a responsabilidade dos clubes, votação para a Rainha e Rei Momo, as escolas e blocos, com centenas de participantes.

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