O Homem do Baú e o Seu Circo Eletrônico

“Internetando” os principais portais na internet, estes dias, me deparo com uma imagem de um senhor de pijama, com um sorriso todo aberto, degurando um pedaço de bolo ao lado de sua filha. O homem da foto é Senor Abravanel, ou melhor, Silvio Santos, a bela moça é sua filha Patricia Abravanel e o bolo é em homenagem aos 91 anos de idade comemorado no último domingo dia 12 de dezembro.

O todo poderoso da rede de televisão SBT, para mim sempre foi uma figura caricata, mas por um outro prisma extremamente controvérsia, talentosa, com uma dose de genialidade e muito, muito esperta.

Sua fortuna estima-se hoje em mais de 1 bilhão de reais. Senor Abravanel Nasceu em 12 de dezembro de 1930, na Travessa Bemtevi, no bairro da Lapa, na região central da cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil e sede do então Distrito Federal.

Silvio Santos, tinha cinco irmãos, mas era com Leon, seu irmão mais novo, que ele se dava melhor e sempre arrumava um jeito de ir de graça às sessões de cinema na Cinelândia. Durante as eleições de 1946, Silvio, então com 14 anos, viu um homem que vendia capinhas de plástico para guardar títulos de eleitor nas ruas do Rio de Janeiro, e teve seu primeiro gesto como empreendedor ao decidir fazer o mesmo. Como a repressão da polícia ao comércio ambulante era grande, ele e Leon vendiam seus produtos na rua por apenas 45 minutos por dia, que era o tempo de almoço dos guardas.  Para ir trabalhar em Niterói, Silvio pegava todos os dias a barca que cruza a Baía de Guanabara, e em uma das viagens ele teve a ideia de montar um serviço de alto-falantes no transporte, que até então era silencioso. Nos intervalos entre uma música e outra, ele fazia propagandas de alguns produtos. A iniciativa fez tanto sucesso que algumas barcas passaram a contar com um bar e um bingo.

Com o sucesso das vendas da carne do “Baú da Felicidade e um estrondoso sucesso como animador de auditório na Rede Globo, no início da década de 1970 Silvio Santos começou a pensar em ter sua própria emissora de TV. O sonho foi concretizado em 1975, quando venceu a concorrência para o Canal 11, do Rio de Janeiro. A emissora no início, chamada TVS, hoje SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), começou a operar com mais de 13 mil funcionários e contou com um investimento inicial de US$ 10 milhões.

Como empresário/proprietário do SBT, Silvio Santos foi responsável  por contratações de inúmeros talentos, artistas, personalidades de peso e programas que fizeram história na tv brasileira como : Serginho Groisman como o seu “Programa Livre”, Jô Soares como o delicioso “Jô11:30, Marilia Gabriela que fazia o “De Frente Para a Gabi”, Goulart de Andrade com o inovador “ Comando da Madrugada”, até mesmo o “Cocktel” comandado pelo saudoso Miele, que apresentava lindas mulheres seminuas, fazendo a alegria da molecada da minha época em plena puberdade. E também realizou a excelente novela “Éramos Seis” (história que se passa aqui em Itapetininga). Logicamente que a minha geração assistia aos programas dominicais apresentados pelo “homem do baú”. “Qual é a Música”, “Porta da Esperança”, “Domingo no Parque”, “Roletando” e a noite o “Quem quer Dinheiro”. A gente cresce, torna-se adulto, e passa analisar uma outra faceta de Silvio, mais obscura. Muitos programas eram de certa forma uma espécie de “circo eletrônico”, o tal “pão e circo” da era romana. Onde ele jogava dinheiro ao ar, e os participantes se devoravam, ajoelhavam, se “matavam” para pegar uma nota de din, din, ou nas “Pegadinhas”, as tais câmeras escondidas, onde os participantes passavam por situações constrangedoras e Silvio adorava tudo aquilo! Dava inúmeras risadas (inconfundíveis), como se tivesse tendo orgasmos múltiplos, bem ali no palco, de felicidade assistindo todas aquelas cenas

A minha memória afetiva em relação ao SBT, é muito nítida e presente em minha memória. Nos idos dos anos 80 existiam pouquíssimos canais de TV (Globo, TV Bandeirantes, Tv Manchete, TVS (futura SBT), Record e TV Cultura.  A TVS surgiu principalmente com como uma programação voltada ao publico infantil, programas como o BOZO (o verdadeiro, não o atual! Rs, que é um palhaço do mal, macabro), Sergio Malandro, Mara maravilha, os desenhos clássicos (Pica-Pau, Popaye, Tom e Jerry …) e claro os cults e atemporais mexicanos Chaves e Chapolin, que até hoje depois de 40 anos fazem muito sucesso e se tornaram clássicos. Silvio Santos tem todo o se mérito de ser um dos maiores empreendedores da televisão brasileira, com inúmeras facetas, muitas para o bem, outras para o mal. Uma espécie de Coringa, muito mais light, tupiniquim. Até a próxima….

 

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