O MISTÉRIO DE NOEL

Os adultos são complicados.
Ensinam que existe um idoso gordo, que veste vermelho e usa gorro de ponta branca, chamado Noel. É um grande empresário, dono de gigantesca fábrica de brinquedos, que distribui seus produtos de graça, por todo o mundo.
Não usa naves nem possui passaporte, mas um trenó puxado por renas, sempre e jocosamente referidas, nos trópicos, como “veadinhos de Noel”. Percorre todo o planeta em uma única noite, deixando presentes onde houver uma criança que tenha sido obediente durante o ano.
Não paga pedágios, mesmo quando transita pelo estado de São Paulo, e tampouco é submetido aos rigores alfandegários. Invade espaços aéreos extremamente vigiados e restritos, sem ser detectado por radares ou ser perseguido por aviões de combate.
Noel pouco fala, e o único som que emite são risos sonoros de uma nota só. Consta que é solteirão, pelo fato de andar sempre solitário e alegre.
Jamais toca qualquer campainha ou bate palmas, preferindo entrar nas residências sem ser notado, pela estreita via das chaminés. Cientistas de todo o mundo estudam a maneira como entra em apartamentos e casas sem lareiras.
Respeita a condição social e financeira das crianças, evitando dar presentes sofisticados a pobres e brinquedos do 1,99 aos ricos. É o único cidadão, em todo o mundo, que fabrica bolas de futebol sem o aval e exigências da FIFA.
Deposita os produtos aos pés das árvores de natal. Vez ou outra, quando encontra meias inodoras, faz delas depósitos de presentes.
Anda de maneira furtiva, e sequer notívagos e boêmios o percebem. Um menor, residente na praça da Sé, acabou internado compulsóriamente, por jurar um avistamento, no telhado da catedral.
Não entrega presentes e brindes em palácios de governos e escritórios parlamentares, nem submete-se a indicações de renas para seu plantel. Jamais permitiu adesivos nos trenós, e fica furioso quando algum eleitor pela carona.
Enfrentou com naturalidade as reações de estranhos grupamentos humanos, que ficaram indignados pelo fato de ser homem, não amarelo, negro ou índio, e jamais ter mostrado qualquer diploma ou especialização. Recebeu insinuações maldosas quanto ao fato de ser solteiro, chegando a ser referido como politicamente alienado e omisso. Alguns comentam, maldosamente, que está a serviço de interesses poderosos, pois permite que sua imagem seja utilizada como chamarisco comercial.
Os adultos propagam e cultivam a imagem de Noel, e fazem cara de paisagem quando as crianças, uma a uma, percebem que foram iludidas. Cientistas humanos concluiram que, ao invés de uma história tão estranha, seria mais útil lembrar que o natal é o registro e comemoração de um aniversário.
Os presentes e ceias seriam esforços humanos, tão diferentes quanto nossas injustiças, lembretes dos ensinamentos daquele que nasceu em humilde manjedoura, dando exemplos que resistem a séculos e animam a fraternidade. Os adultos preferiram a ilusão do velhinho que pouco fala à realidade daquele que tanto disse e fez.

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