O tango admirado, mas nem tanto festejado em Itapê

Os salões regurgitavam de damas e cavalheiros em trajes que lembravam os grandes astros de Hollywod, se exibindo em apresentações às refinadas associações dos clubes. Vestidos longos ornamentavam as mulheres, enquanto homens trajavam-se com esmerados ternos e alguns com respeitosos smokings. Geralmente assim se apresentavam os freqüentadores das entidades locais, notadamente no circunspecto “Venâncio Aires”, onde se sobressaiam algumas damas com vestidos justos e alguns cavalheiros com ternos escuros e chapéu também da mesma cor, especialmente para o “possível show” que apresentariam durante o baile.
Uma das principais razões do baile recaia no espetáculo atraente que seria a apresentação do tango, a música envolvente, sensual e emotiva. O tango invadia os salões itapetininganos – principalmente o “Venâncio”, cuja orquestra era dirigida por Benedito Pompeu de Jesus – tudo nas décadas de 30 a 1940. Mas, a partir de 1950, quase nunca se executou em Itapetininga esse ritmo musical, segundo o professor e colunista Ivan Barssanti Silveira. Diminuiu e muito o número de pessoas dedicadas ao tango, apenas ressalta-se a professora Mary Elizabeth Soares (Bebebte), que além de periodicamente viajar a Bueno Aires especializando e aperfeiçoando-se no gênero, ministra aulas nos clubes da cidade, exibindo-se com elegância e arrebatando de entusiasmo quem a assiste.
O tango foi festejado pelos itapetininganos, principalmente por aqueles que excursionavam periodicamente a Buenos Aires, pois como acentua o escritor Jorge Luiz Borges, “ o tango é a mesma emblemática que representa a Argentina embora o mesmo gênero também seja símbolo do vizinho do outro lado do Rio da Prata o Uruguai. O tango, continua Luiz Borges, “ era uma forma de caminho pela vida. Os argentinos se ufanavam da definição dada pelo filósofo americano Waldo Frank, que sustentou que o tango é a dança mais profunda do mundo.” Mais do que triste, o tango é introvertido e introspectivo, ao contrário de outras danças populares que são extrovertidas e eufóricas.
O tango apresenta muitas características. Suas letras falam de mãe “santa”, da turma de amigos, das ruas dos bairros, e da traição das mulheres que abandonam os maridos. Mas, além disso, o tango fala do hedonismo e da aparência, das divisões sociais e dos picaretas.
A palavra “tango” aparece com essa grafia no Dicionário Provincial de “Vocês cubanas”. Define “tango” como reunião de negros para dançar ao som dos seus tambores ou atabaques. Outra teoria indica que o “tango” vem de tambor.
Um dos idólatras do tango em Itapetininga foi o professor de matemática, Paulo Rage Zaher, possuidor da maior discoteca de tango do Estado e profundo conhecedor de gênero, através da vasta biblioteca especializada sobre o assunto. Com ele trocavam figurinhas o também professor Waldomiro Thibes Cordeiro.
Amantes do tango, nesta cidade, destacavam-se os irmãos Badin – com loja de tecidos, em décadas passadas na rua Campos Sales – Camilo Badin, Celso Badin e Jair Badin. Freqüentadores do Venâncio, exibiam-se galhardamente como pares Neusa Braga, Maria de Souza, Alcindo Rocha e outras beldades da época. Sobressaiam-se na dança Osvaldo de Souza – filho do professor Péricles de Souza, , Mario Bourbon – dono de torrefação de café – Rubens Araújo, Miguel Calux, Aldo Oliveira, Maurício Bernal, etc.
De tango, uma mania mundial, são realizados concursos, anualmente, em Bueno Aires, onde dançam o tango candidatos de todos os países.

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