Os muitos Chico 2

No artigo da semana passada 18/06 escrevi sobre a obra literária e teatral do gênio absoluto da cultura brasileira Chico Buarque de Holanda, que completou um dia depois da circulação do jornal 19/09 (sábado), 77 anos de idade. Uma daquelas coincidências impressionante, porque juro caros leitores que não lembrava precisamente da data de seu niver.
Dando continuidade irei escrever um pouco (porque dá um livro inteiro) sobre a obra de Chico relacionado ao cinema sob a minha óptica. A primeira adaptação para o cinema que assisti de Chico Buarque foi em 1982, eu tinha 6 aninhos de idade (kkk), no saudoso Cine Olana ou Itapetininga que era em frente ao clube Recreativo na Rua Monsenhor soares mais uma vez na companhia de meu querido pai Edson foi; “Saltimbancos Trapalhões” (baseado na peça musical infantil “Os Saltimbancos “ de 1976) com o querido e divertidíssimo quarteto (Mussun, Zacarias, Dedé Santana e Didi) o antológico “Trapalhões”
Cinema lotadasso! No piso térreo e superior, sim queridos leitores mais novos! Nosso cinema possuía 2 andores, era um prédio fantástico E logicamente fiquei admirado com tudo aquilo, com as músicas, com o enredo e com as trapalhadas da trupe. Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, funcionários humildes, trabalham no Grand Circo Bartholo como contra-regras, mas arrumam tantas trapalhadas quando aparecem para o público que passam a ser número obrigatório e a maior atração, sendo explorados, em sua ingenuidade por Barão (Paulo Fortes), o dono do circo. Eu ganhei o LP do meu tio Ivan na época, e todas as músicas compostas por chico são verdadeiras obras prima.
Chico fez trilhas para filmes que viraram verdadeiros clássicos do nosso cinema. “Vai Trabalhar Vagabundo” feita para o filme com Hugo Carvana o mesmo título da canção em 1973, a belíssima “A Flor da Terra (O Que Será?) “para o filme ‘Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976) baseado na obra de Jorge Amado com a eterna musa Sonia Braga, para o emblemático e profundíssimo filme “Bye Bye Brasil “ (1980) com José Wilker, Beth Faria, Fábio Jr sob direção de Cacá Diegues e a canção deu nome ao filme. O diretor disse numa de suas entrevistas, que o filme não existiria sem a música. Mas o filme adulto baseado nas obras buarquianas adaptadas para o cinema foi “ A Opera do Malandro” dirigido por Ruy Guerra, assisti em 1987 em Santos, desta vez ao lado de meu tio Ivan, outro “fãnzasso” inveterado do mestre. Já perdi a conta de quantas vezes vi o filme, talvez mais de dez A película se passa no Rio de Janeiro, na Lapa boemia, dos cabarés da e malandragem no final da 2ª Guerra Mundial, 1944, 1945. Max (Edson Celulari) é um malandro elegante, que é também uma popular figura do boêmio bairro da Lapa. Ele explora uma cantora de cabaré e vive de pequenos trambiques. Até que surge Ludmila (Cláudia Ohana), a filha do dono do cabaré, que pretende tirar proveito da 2ª Guerra Mundial fazendo contrabando. A cena inicial do filme com o bailado dos malandros (ternos brancos, chapéus panamá, camisas de linho e sapatos bicolores) é sublime. Todos os filmes, músicas e cenas citados você encontra no Youtube ou nas plataformas de streaming,
Aos 77 anos de idade Chico Buarque de Holanda continua compondo escrevendo e cantando lindamente e na última semana com máscara e muito álcool gel esteve junto aos manifestantes no Rio De Janeiro contra este obscuro, sinistro e macabro Governo Brasileiro. Viva Chico Buarque! Vida longa ao gênio de raça.
Até a próxima…

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