Poema às maravilhosas mães itapetininganas

Consistência, paixão, impetuosidade, candura, carência, inquietude e simpatia. São a tributos inegáveis que nomeiam todas as mães de Itapetininga, esse recanto do Estado de São Paulo. Não só nesta era como aquelas que ficaram no esquecimento.
Mães humildes, ricas, ilustradas ou analfabetas, formosas, ou mal compostas, destituídas de graças, de várias raças e cor, pobres ou ocupando cargos elevados no funcionalismo, balconistas ou gerentes, casadas, divorciadas ou solteiras. Constituem-se no quadro das mulheres que carinhosamente e corajosamente criaram seus filhos no propósito de torna-los homens probos, trabalhadores, principalmente úteis ao próximo e necessários a terra onde vivem. Mães que almejam para seus filhos conduta das mais exemplares e dignos de admiração.
As mães de todos os gêneros, educação, beleza, aspecto corporal ou raça, condições sociais, fizeram e fazem ainda a história de uma cidade, pois estão cientes e crentes de suas responsabilidades, na concepção do ser humano que irá somar à população com quem convive, com a finalidade de se tornar útil e prestativos à comunidade que integra.
Aquelas excelsas mães que cuidaram e cuidam carinhosamente de seus filhos menos dotados, como os manietados, ausentes de visão e audição, destituídos das características de um Apolo e outros “não considerados perfeitos”, são as “divinas” abençoadas pelo Senhor, em razão de seus desvelo e carinho devotado, hora a hora, a seus filhos.
Mães, enfim, iluminadas por Deus, destinadas a educar e orientá-los a trilharem o caminho certo da existência, cheio de lutas, vitórias ou decepções. Às mães, sem quaisquer descriminações e preconceitos, os aplausos, admiração, os sentimentos de gratidão de toda população itapetiningana, neste que é considerado o “Sagrado Dia das Mães”.
Aquela que não foi mãe
Poucas pessoas, parentes e conhecidos velaram neste último domingo, uma octogenária, falecida em uma casa de repouso, onde permaneceu por quase quatro anos. Não recebia visitas e sempre esteve recolhida, só, em um quarto da entidade.
Quem a conheceu, como nós e alguns amigos clamamos, silenciosamente, dos céus – “Como é possível ter um fim tão melancólico e triste como essa que foi jovem maravilhosa que em décadas passadas deslumbrou e arrebatou rapazes que a consideravam verdadeira musa, semelhante, na época, a Ava Gardner, artista que brilhou nas telas cinematográficas.
Disputada por jovens “de boa família e bens de posse”, enamorou-se de JD, que foi o aviador civil e juiz aposentado do Estado de Rondônia. Seus progenitores impediram o casamento daquela esbelta, graciosa e bela jovem. Seu pai, irreverente em seu propósito, “chegou a açoita-la”, conforme lembra um seu parente, ainda residente em Itapetininga. Amargurada, deixou de frequentar passeios e clubes, entrando em doentia depressão.
Recolhida a uma casa assistencial, passou seus últimos anos, praticamente sozinha, sem nenhuma companhia e “talvez sentindo a ausência dos poucos parentes que restaram”. Irreconhecível na urna fúnebre, seu féretro teve o acompanhamento de reduzido número de pessoas.

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