POUCA COLABORAÇÃO

A vida em sociedade seria bem menos tumultuada, se o espírito de colaboração estivesse mais disseminado entre nós.
A humanidade, apesar da existência de povos mais evoluídos, nunca primou pela irrestrita fraternidade, alternando posturas animalescas e ações fraternas. Grande parte das virtudes humanas são reservadas ao círculo mais íntimo de convivência, familiar ou social.
O secular dito de que “quem pariu Mateus que o embale”, talvez tenha sido inspirado no apontamento da responsabilidade, mas acabou amesquinhado a chamamento de descompromisso. Importa, a cada um, a integridade de seu próprio quintal e o bem estar dos que frequentam o dia-a-dia.
A dengue seria solucionada com soluções simples, a partir do somatório de providências individuais. Bancos de sangue e leite não viveriam esmolando favores, animais domésticos não seriam tão abandonados, e o meio ambiente menos degradado, cultivássemos um pouco mais a prática intuitiva da colaboração.
Em nossa selvageria, a rivalidade futebolística justifica mortes e espancamentos, praticadas em grupo por pessoas que, individualmente, são incapazes de ferir ou mesmo ofender um vizinho ou amigo que torce pelo time adversário. Os freios morais pouco funcionam, quando as ações predatórias são grupais.
Turbas políticas, conceituais ou instrumentadas, vandalizam bens públicos ou privados, gerando incômodos e prejuízos que acabam repassados a todos, inclusive quebradores. Telefones e outros equipamentos coletivos são sistemática e seguidamente inutilizados.
O lixo, no entendimento coletivo, só polui quando frequenta nosso portão, e qualquer queimada é saneadora, quando o vento sopra em direção ao vizinho. Qualquer câmera, inibidora de crimes, é amaldiçoada como invasora de privacidade, salvo se instalada no próprio quintal.
Todos são honestos e respeitadores, até que bafejados por cargos ou funções de mando. Todos são probos e incorruptíveis, até que o chefe ordene, oralmente, a irregularidade.
São cultuadas e propagandeadas as virtudes, mas homenageadas intensamente as pompas, riquezas e fontes de poder. As pequenas burlas são tidas como manifestações de esperteza.
Importa a música preferida, nos decibéis que agradam os ouvidos, sendo o sossêgo público mero detalhe, quase sempre desconsiderado. Dez horas construindo uma boa cola é mais atraente que quatro horas estudando conteúdos. Troco errado é dádiva divina, e não convém discutir com Deus.
Um povo tão embrutecido e pouco colaborador elege representantes com semelhantes requisitos, parecendo preferir mais chefes que desgovernam que líderes que constróem.
Se o povo, em sua maioria, é tão primitivo, à luz do dia, que dizer de seus representantes, na intimidade pouco sondada dos gabinetes. Fôssemos mais práticos e menos cerimoniosos, diríamos que a humanidade é uma bosta, mas o termo não cabe em artigo educadamente iniciado.

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