Prolegômenos

Todos já sabem, mas, vou repetir, pois estou na fase da repetição. Quando ingressei no Seminário, na década de 1950, aprendi muitas palavras novas. Ganhei do meu pai vários livros. Todos eles indicados pela instituição de ensino. Cada obra que o meu pai me presenteava, vinha com a sua chancela: Ludgero Moreira Lopes e a data. Meu pai gostava de mim e eu gostava do meu pai. Era um amor recíproco. Minha mãe, que queria me ver no Seminário, já havia morrido. Eu era muito pegado a minha mãe. Ficara eu, minha irmã e meu pai. Deixara os dois com muita tristeza, lágrima e dor. Tinha medo de perder o meu pai. O Seminário era em forma de internato e eu era menino. Fiquei sozinho num mundo cheio de pessoas. Quanta tristeza, meu Deus! Nos primeiros anos só ia para casa uma vez por mês, pois o Seminário ficava longe. Um dos livros que meu pai me presenteou era de Teologia: “Dogmática Evangélica”, cujo autor é o Ministro Presbiteriano Independente, Alfredo Borges Teixeira, depois, recebi, em Inglês, o compêndio: “Teologia Sistemática”, cujo autor é Louis Berkhof, que me acompanhou até o final do curso. No primeiro livro, depois do prefácio, vinha o pomposo nome: Prolegômenos. Aurélio, o dicionarista, definindo o vocábulo, afirma que é uma exposição preliminar dos princípios gerais de uma ciência ou arte. O livro está dividido em Teologia, Cristologia, Soteriologia, Eclesiologia, Escatologia e por aí vai. Li e reli, na época, vários livros: “Esboço de Teologia Sistemática de Langston”, “Confissões” de Agostinho, “Cidade de Deus”, “Nossa Crença e de nossos Pais”, “Imitação de Cristo” de Tomás de Kempis. Os dez anos foram poucos para estudar Filosofia de Jolivet, Latim, Grego e Hebraico.
Na Bíblia, li que Jesus disse: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes, aquele que pode fazer perecer no inferno, tanto a alma como o corpo. ” (Jesus afirmou que há um lugar chamado inferno.) O meu professor de Teologia dizia que há teólogos que acham que o homem é composto de três elementos- corpo, alma e espírito- e não somente de corpo e alma. Dizia ele que tais estudiosos são chamados tricotomistas e os outros dicotomistas. Como o meu professor usou o verbo “achar” e ainda deu lugar para a escolha, preferi ser dicotomista por várias razões e, entre elas, pelas palavras de Cristo e pela descrição da criação do homem por Deus. Quando Deus criou o homem, como relata Moisés, Adonai formou o homem do pó da terra e soprou nas suas narinas o fôlego da vida. A parte material é o corpo e o fôlego é alma. Alma e espírito são vocábulos sinônimos e são permutáveis, dizia meu professor, tanto na linguagem bíblica, como na comum. A narrativa da criação é dicotomista. A morte é descrita, às vezes, como um ato de render a alma e, em outros casos, como render o espírito. Leia Gênesis 35:17 e Salmo 31:5 se quiser inteirar do caso.
Jesus, certa feita, resumindo os dez mandamentos, disse: -“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de todo a tua alma e de todo o teu entendimento. ” Jesus, segundo os teólogos e os hermeneutas, não tem em mente três distintas substâncias, porém usa tais expressões para enfatizar que se trata do homem como um todo. É uma forma retórica de falar.
Fiquemos apenas nos prolegômenos, pois é um assunto da Antropologia que vale por si só um livro.

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