Quando o palanque desabou

Há pouco, sem nenhum pensamento, andávamos pela Rua Campos Sales, próximo à Av. Peixoto Gomide, passou-me rapidamente à memória, feito ocorrido há dezenas de anos. É provável que alguns ainda se recordem do fato, que foi notícia em todos os jornais paulistas.

Encontrávamos, então em pleno e buliçoso tempo das ansiosas eleições presidenciais e o fervor da população se impulsionava cada vez mais de emoções e esperanças. Era o ano de 1937, e ela estava marcada para 03 de janeiro de 1938.

Naquela famosa e concorrida avenida, conhecida, principalmente por ostentar a icônica Escola normal “Peixoto Gomide”, constituía-se no cenário onde os políticos, de quaisquer partidos, se apresentavam.

Claro e líquido em palanques, por vezes enfeitados, colocados em vários pontos daquele saudável espaço, orgulho da cidade e atração dos visitantes.

Naquele local, onde estudantes, durante o intervalo das aulas se refastelavam, o movimento era intenso e álacre, colorindo toda área de azul e branco, tradicional uniforme da Peixoto.

Estudantes de todas as classes sociais frequentavam com orgulho os estabelecimentos escolares “Fernando Prestes”, “Aderbal de Paula Ferreira” e, naturalmente a “Peixoto”, com seus cursos primário, ginasial e Normal. Destacavam-se, nota dominante, as jovens e os jovens no uniforme azul e branco, exaltadas numa gloriosa música “vestida de azul e branco, minha linda normalista, rapidamente conquista meu coração…”

Maravilhoso quadro e espetáculo proporcionado pelas gárrulas jovens, que, animadamente e sorridentes mostravam a felicidade.

Neste cenário, instalavam-se palanques para quaisquer acontecimentos. Festas juninas, religiosas, notadamente para comícios políticos ou homenagens diversas. Um cenário perfeito para apresentações desse gênero.

Em dezembro de 1937, esteve na cidade o candidato a presidente Armando Sales de Oliveira. Principal adversário de Getúlio Vargas foi recebido com todas as honrarias por grande parte da população de Itapetininga, tendo como prefeito João Reichart.

Em dezembro de 1937, esteve na cidade o candidato a presidente Armando Sales de Oliveira. Foto – Reprodução

Numerosa comitiva do candidato encontrava-se no palanque e a multidão, inclusive políticos de toda a região, aguardava ansiosamente o início “daquela autêntica festa”.
Quando o candidato, enormemente ovacionado, iniciava seu aguardado discurso, um ruído estranho ecoou em toda a avenida, tal a sua repercussão. A grande multidão estupefata presenciou o desmoronamento do palanque e gritos estridentes alastravam-se em todos os cantos da avenida.

Armando Sales de Oliveira, ligeiramente ferido, foi levado instantaneamente à Santa Casa de Misericórdia, sendo atendido pelos médicos daquele nosocômio drs Aníbal Teixeira e Paulo Braga. O então candidato, recuperado, regressou à capital paulista, sem pronunciar qualquer palavra a respeito.

As eleições não aconteceram, pois foi instalado no Brasil o Estado Novo, onde Getúlio Vargas se manteve no poder até o ano de 1945.

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