República de bananas

Houve um tempo em que era um orgulho imaginar que habitávamos uma ilha de paz, em meio a um mundo repleto de violências.
Por aqui, cidadãos oriundos dos mais distantes rincões conviviam fraternalmente, e ficamos famosos pela alegria do samba, futebol e praias. O avanço dos meios de comunicação, contudo, permitiu que descobríssemos nossa verdadeira feição de desinformados, milhões de hienas, sorridentes e espoliadas.
Cultuamos, por séculos, nossa capacidade de dar um jeitinho para contornar as ilegalidades do dia a dia, como se fossemos um amontoado de gênios, logrando vantagens pessoais a cada passo.
A pobreza, pacata e resignada, amontoava barracos e amargava carências, misérias e abandono, afastada dos centros urbanos. As elites empresariais bem sucedidas não irradiavam cultura nem pregavam a cidadania.
Políticos nasciam e cresciam em meio ao populismo barato, com distribuição de favores e administrações ridículas e fisiológicas, movidas a ineficiência e culto personalista.
O país da festa e paz, aos poucos, foi assumindo as feições de uma república de bananas, mundialmente conhecida como o paraíso da corrupção e dos malfeitos administrativos. Nossos cárceres figuram dentre os mais bárbaros e violentos, e nossos doentes levam meses para conseguir um atendimento médico, enquanto as escolas públicas não conseguem civilizar pessoas e ensinar conteúdos.
Nossos policiais militares, tão requisitados, esperam horas e horas para entregar um detido ao plantão policial, e nossa Justiça leva décadas para decidir processos. Milhões de brasileiros não contam com saneamento básico, enquanto os palácios do poder resplandecem, tão pomposos quanto perdulários.
Vivemos a ditadura dos poderosos, e agora vivemos a barbárie do conluio entre políticos e empresários, ambos desonestos, unidos no assalto aos cofres públicos. Sequer a merenda escolar escapa à sanha e ousadia da corrupção, coroada pelos bilhões afanados de nossa Petrobrás.
Nossos noticiários são um festival de escândalos e violências, de roubos e cinismos, de omissões e criminosas ineficiências. Ficou impossível desligar a TV e permanecer pensando em futebol, samba e praias.
O poder político corrompido assumiu status de poder econômico corruptor, e vivemos um círculo vicioso capaz de vencer eleições e tornar minoritárias as contestações. A corrupção rende e nutre poderes capazes de instrumentar todo o Estado, tornando instituições simples tentáculos garantidores de mando e impunidades. O fim da linha é o aniquilamento da cidadania.
Municípios, estados e federação estão historicamente contaminados, e não pode ser considerado honesto o povo que elege desonestos. Não pode ser considerado feliz um povo roubado, carente, que não acredita nos políticos que ele próprio elege.
Caminhamos por 515 anos, talvez em círculos, pois pouco avançamos.

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