RESPEITO E DESORDEM

A diversidade humana é o sal da terra.
É também o destempero que impede a plena paz e calmaria das ditaduras, armadas ou democráticas. A diversidade impede que sejamos um clone, e estimula a criatividade que inova e aperfeiçoa.
Poucos povos conseguem fazer da diversidade um elemento enriquecedor. São poucos os povos que sabem conviver com ideários e manifestações discordantes, e poucos são os idealistas e manifestantes que respeitam as discordâncias e entendem que gerações guardam valores e tradições não descartáveis.
Não pode ser exigido de avô, que passeia com o neto de sete anos, feição alegre, ao cruzar com Maria amassando Aurora, ou Benedito beijando Sebastião. Podemos exigir que respeite e não discrimine a diversidade sexual, mas devemos respeitar seu pacífico inconformismo.
É justo e nada conservador que um cidadão exija, do Estado, a retirada da cracolândia fundada em seu portão, por mais que cientistas e estudiosos expliquem o crescimento das drogas e a infelicidade decorrente se seu consumo, por multidões.
É difícil convencer, comerciantes e frequentadores de shoppings, espaços privados, que a quebradeira e corre-corre da multidão de rolezistas podem, remotamente, ter inspirações idealistas e ser decorrência de inconformismo social. Podem e devem exigir respeito ao patrimônio, segurança e tranquilidade.
Uma família de agricultores, que ao longo de gerações acumulou trabalho, constituindo capital, não pode consentir que sua propriedade seja invadida por turbas que questionam o direito de propriedade, nem pode ser forçada a conviver com a ocupação, enquanto agentes do Estado dialogam com invasores, muitas vezes por longos períodos. Não é fácil aceitar que uma ordem judicial de desocupação dependa, para cumprimento, de análises de conveniência, pelo Executivo.
Nossos mandatários, legislativos e executivos, são reféns do despreparo, e poucos conseguem entender que todos os direitos sociais e políticos são baseados na garantia aos direitos individuais. Sem a garantia ao direito de cada um, a sociedade é uma grande e desnorteada turba.
Por aqui, cidadãos julgados e sentenciados podem ser degolados, mesmo sob a formal tutela do Estado. Agentes dos Correios não podem trabalhar em guetos violentos, índios cobram pedágios e manifestações coletivas não devem ser reprimidas, ainda que repressoras e violentas.
O exercício de mandatos deixou de ser um reinado personalíssimo, de conchavos políticos e distribuição de benesses, para ser um garantidor de direitos e intérprete da sociedade. Tapar buracos, aparelhar partidariamente a Administração, festejar inaugurações e assinar decretos de nomeações já não bastam.
Precisamos, como nunca, de líderes. Os governos perderam o liame com a sociedade. Uma simples lombada, cuja ausência tenha causado dezenas de mortes, só é conseguida quando ônibus são queimados e o trânsito impedido.
Hospitais e Centros de Saúde só são equipados quando a imprensa aponta o absurdo, e corrupções seguem solenemente ignoradas, e toleradas, até que tornadas públicas.
Voltamos à idade da pedra. Deixamos de ser um conjunto respeitoso de diversidades para ser um aglomerado confuso e desamparado.
Não vemos luz no fim desse túnel.

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