“SEXTA-FEIRAR”

Que sexta-feira é um dia cheio de charme, isso todo mundo sabe! Afinal, é o último da semana em que somos obrigados a bater o cartão de ponto e suar a camisa até as dezoito… Quando o chefe é um sujeito amigável, a gente pode até pedir um vale e desejar-lhe um bom final de semana. Não há como negar: a perspectiva de sair do trabalho, encontrar-se com amigos, tomar umas “geladas” naquela lanchonete que mais parece “nossa casa”, namorar, ir ao baile… Enfim, sair à rua sem preocupação de voltar cedo é uma sensação agradável de liberdade. Esse dia tem um quê de mágico, de prêmio, de festa,… Tem alguma coisa de esperança, de alegria, que em vão eu tento explicar, mas, que eu gosto, ah, se gosto!
O nome de batismo desse tempo entre o nascer do Sol e seu ocaso sobre a Terra é originário do latim e os povos antigos, que reverenciavam seus deuses, dedicavam esse dia ao astro Vênus. A data é envolta em misticismo: sexta-feira-l3, Santa, da Paixão!
Não há filho de Deus que não aprecie a chegada desse magnífico dia, principalmente, se não houver chuva, um calor aconchegante envolva a noite e uma lua cheia de encantamento e claridade esteja lá no céu, toda, toda… Fascinante e convidativa, divinamente lua!
Daí que pensando nesse dia maravilhoso, resolvi por conta própria fazer uma traquinagem linguística… Os gramáticos e os meus amados professores de português que me perdoem, mas decidi transformar o substantivo feminino que anuncia o fim de semana, no glorioso verbo sexta-feirar! Não sei explicar porque, mas quase entro em êxtase ao conjugar esse verbo! Vejam bem, queridos leitores, se não há uma sensação de estar no ar, de ascender ao paraíso… No presente do indicativo, seria assim: eu sexta-feiro, tu sexta-feiras, ele sexta-feira! Nós sexta-feiramos, vós sexta-feirais, eles sexta-feiram! Que delícia de verbo, minha gente!
Pronto: está criado novo verbo na freguesia lusitana! Tomara que Camões, Manuel Bandeira, Ferreira Gullar e tantos outros iluminados bardos não fiquem zangados comigo e resolvam me acusar de herege, lá nas bandas do Parnaso!
Já pensaram que beleza, você telefonar pros seus amigos, sua namorada, sua confidente e convidá-los a conjugar essa iguaria verbal! E, falando nisso, quem me dera se Hemengarda, lá dos confins da estrela D’Alva, lembrasse de mim, de repente, montasse sua vassoura mágica e descesse à Terra pra gente sexta-feirar!

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