Silencioso, o solar aguarda seu destino

A grande sala da casa dos “Rezende” teve sempre ar de festas e alegria, como em tardes primaveris. Ali se reuniam jovens, principalmente normalistas da “Peixoto”, que recebiam as boas vindas dos proprietários.

No início da descida da rua Quintino Bocaiuva (antiga Rua das Tropas), constituiu um caminho de acesso para a Vila Rio Branco (Paquetá), frente a Praça 9 de Julho e, sem ninguém procurar, transeuntes se deparam com um prédio, considerado grande e agora fragmentado, praticamente abandonado em sua construção.

Encontra-se, já há muito, em condições das mais precárias, fechado por pedaços de madeira em toda a extensão, nas suas quatro portas e cinco janelas. Isto tudo para tentar evita possíveis invasões de moradores de rua, que em determinada ocasião atearam fogo em vários locais do prédio e graças a ação dos Bombeiros, não houve danos maiores. Hoje muitos moradores de rua ainda se escondem do frio e da chuva dentro do velho casarão.

É o sobrado conhecido como o Solar dos Rezende, de tradicional família itapetiningana, sendo Laura Rezende, professora de português da “Peixoto” e os filhos Paulo, Vicente, Max (Veterinário) e Caliza, conhecidos e respeitados em toda a região.

No amplo e vasto quintal, limitado nos fundos com o Ribeirão dos Cavalos, constantemente era utilizado para as conhecidas “brigas de galo! com várias rinhas. Implantadas na área, realizavam embates fervorosos entre essas aves, providas de vários municípios, inclusive da capital paulista e da capital gaúcha. Os “galistas! Apostavam dinheiro grosso e movimentavam, em muito o comércio local.

Na parte térrea funcionaram por longos anos estabelecimentos comerciais diversificados como o “Bar 21 Estados”, pertencente a Arthur Matarazzo; o Empório, de propriedade de Brás Ribeiro, a funilaria de Arlindo Rosa, a padaria e confeitaria de José Galvão e, inclusive uma barbearia, cujo dono chamava-se Cesar Proença, filho de Eduardo Proença e irmão de Atílio.

Um dos últimos descendentes, o estimado Billô Fogaça, então viúvo de uma das proprietárias faleceu há pouco tempo e os remanescentes ligados ao imóvel ainda não se pronunciaram a respeito do destino do centenário casarão, uma das últimas recordações da velha Itapetininga.

O “Solar dos Rezende”, que viu os tropeiros subirem a Rua das Tropas, que recebeu governadores e nobres figuras do final do império e República Velha, ou jovens de várias décadas para encontros festivos e maravilhosos, agora silencioso aguarda a sua sentença. A mesma da maioria dos prédios históricos de Itapetininga.  Uma torre de apartamentos ou um barracão com portas de vidro temperado.

 

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