Subindo a Quintino com gratas recordações

Subindo a rua Quintino Bocaiúva lembramo-nos das inúmeras tropas que a atravessaram em toda sua extensão, vindas dos pampas gaúchos e conduzidas pelos bravos tropeiros que faziam a alegria da cidade.
São lembranças antigas, coisas dos tempos dos cigarros Aspásia, Yolanda, Ovais, Fulgor e outras marcas vendidas na Charutaria do português Antonio Souto, hoje a frequentada Casa Bittar, na Monsenhor Soares.
Nesta via pública o Cine Theatro Ideal, com exibição de filmes do velho faroeste com Bob Stele, Buck Jones, Ken Maynard, Tom Mix.
Na rua das tropas (como se denominava naquela época, diluída pelo tempo) o pouso dos animais era no pasto da hoje propriedade do saudoso José Emilio Pinto Nastri e o armazém, logo em seguida, de Moisés André, atualmente ocupado por um lavador de carros.
A rua Quintino com a fidalga mansão de Silvestre Leitão, estilo colonial e o sobrado em frente, do mesmo dono.
Lá em uma das janelas a jovem e bela filha espiava furtivamente a passagem alucinante dos animais, em tropel ensurdecedor, levantando nuvens de poeira no ar.
Ao vencer a rampa o imponente prédio “solar dos Rezende”, ainda altaneiro, onde pontificava a chefe do clã, a venerada dra. Andriana, “conselheira, dos jovens que a procuravam para orientação de suas vidas”.
Na parte térrea funcionando separadamente uma bicicletaria, um empório e o bar “21 Estados”, do folclórico Arthur Matarazzo.
Padaria do Alemão, selaria de Francisco Rosa e armazém do seu Maciel, violeiro dos bons e tido como mago do benzimento, faziam parte do primeiro quarteirão, completado pela sapataria, de Indalécio e Matarazzo, além da casa de ferragens de J. Messias.
Destacavam-se, igualmente, as selarias de Pedro Lobo, Arthur Pie, Pedro Gogachisk, e a famosa Casa Zebu, conhecida pelo cavalo de madeira colocado na entrada do estabelecimento. Máquina de beneficiar arroz, de Plínio Tambelli, avizinhava-se com o armazém de Jorge Ozi, posteriormente de Chaquib Ozi e logo após o concorrente Vicente Cherenga e uma ferraria, confrontando com a pensão dirigida pelo casal Osvaldo e Duca Malatesta.
Irmãos Duarte foram atacadistas na esquina com a José Bonifácio, sucedendo-os Esaú Isaac e logo à frente Constantino Matarazzo e seu enorme comércio de secos e molhados.
Na antiga Difusora D-9 existia o Mercado Municipal, com suas “casinhas”, dedicado à venda de cereais, frutas, verduras, carnes e outros produtos, sendo administrador “ Sinhô Rosa”, pai do professor aposentado Toninho Rosa (Risadinha).
A rua das Tropas, onde predominava “amizade leal e sincera entre moradores e comerciantes, tinha “ilustres personalidades na área”, o advogado Jango Mendes, o intelectual Fernando Pereira de Moraes, Professor Zinglio Ferreira, Dr. Braga, residente em um sobrado que foi consumido pelo fogo e localizado na hoje entrada da vila Rosa.
Salientaram-se Rodrigo Rodrigues, com armazém, Júlio Galvão e a família de Higino Rolim Rosa, com extensa área de terra, abrangendo o denominado “Ribeirão do Chá”. Isto sem esquecer o famoso Ginásio de Itapetininga, que teve seu começo onde atualmente ergue-se o “Pão de Mel Express”.
Abílio Fontes, Zequinha sapateiro, João Alves Araújo, Amador Nogueira e a venerada Nhá Cesária, proprietária da maior Chácara localizada no perímetro urbano, foram cidadãos de respeito e produtivos à cidade.
Nesta rua o comércio foi atuante “onde circulava quase toda economia de Itapetininga, em razão de seus variados estabelecimentos e fluxo imenso de pessoas”.
Consta que a via pública, periodicamente, era percorrida por “hansenianos”, vindo do “Paquetá”, pedindo “ajutório”.
Os moradores, ao som do barulho das canequinhas que eles portavam, deixavam o seu “óbulo nas portas ou janelas para evitar o contacto manual”.
Comparada à atual Campos Sales, a Quintino ainda permanece com movimento intenso, mas deixou de ter o romantismo de outrora e o calor humano existente entre todos moradores, que procuravam se ajudar uns aos outros conforme as necessidades.

(*) crônica publicada no livro “Vivas Memórias – volume 2”

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