Tiriricas

Desde que me conheço por gente o cenário político é tomado por figuras umas pitorescas, outras folclóricas e outras completamente bizarras.

Por um lado, pode até ser engraçado, divertido, mas por outro chega ser triste e até mesmo muito, muito perigoso. A política no Brasil não é levada a sério por grande parte dos eleitores como deveria ser, o que não acontece em muitos outros países.

Me lembro quando ainda era muito criança de figuras sinistras como Jânio Quadros, com a sua distribuição de broches de vassourinhas em metal (naquela época era permitido político distribuir brindes e outras “coisitas” mais) que era o seu símbolo, sua bandeira de varrer a corrupção. Em 1961 o transloucado Jânio, foi eleito Presidente do Brasil, mas ficou apenas 7 meses, renunciou, alegando “forças obscuras” que o tomavam internamente, assumiu seu vice João Goulart que tinha uma linha mais progressista. A renuncia de Jânio foi uma grande alavanca para o terrível Golpe Militar de 1964 que durou 21 anos de absoluto terror.

Paulo Salim Maluf, um dos políticos mais corruptos de toda nossa história, também tinha suas excentricidades foi governador de São Paulo (1979-1982), prefeito de São Paulo em dois mandatos (1969-1971; 1993-1996) e deputado federal por muitos anos. Numa só obra Maluf desviou dos cofres públicos (dinheiro meu e seu, caro leitor) mais de 172 milhões de dólares, equivalente a 1 bilhão de reais convertidos hoje. Assim como o ex governador de São Paulo, Ademar de Barros (1947–1951 e 1963–1966), ficou conhecido com o lema “rouba, mas faz”, até hoje Maluf tem uma legião de fãs e adoradores da 3º idade, que estufam o peito para falar: “Roubou, mas Fez “. E me pergunto, “Não dá para fazer sem roubar?” É! No Brasil a história e a atualidade nos mostram que são raríssimas as exceções. Até o PT que era um partido que mostrava ser mais coerente, uma voz dissonante anticorrupção se perdeu completamente no caminho com os mensalões promovidos por Zé Dirceu, justo ele que lutou tanto contra a ditadura. “Até tu, brutos?”

Em 1989, aconteceu as primeiras eleições democráticas para presidente, depois de mais de 21 anos de ditadura, de anos de chumbo (mortes, torturas, desaparecimentos, censura) surge um candidato que prometia acabar com marajás, sim ele mesmo, Fernando Collor de Mello, apoiado escancaradamente pela Rede Globo de Televisão, parecia um personagem de suas novelas das 21h, hoje seria comparado com um BBB (Big Brother Brasil) da “vida”. De família super influentes (verdadeiros “coronéis”) em Alagoas capital do estado de Maceió, playboy, jovem, rico, galã, gel nos cabelos, andava de Jet Ski, helicóptero, avião, seduziu muita gente, um personagem político que a Globo adora e que caiu nas suas graças. Vejamos pelo ex Juiz Sérgio Moro que Bonner e companhia tanto exaltou, o fez um herói, um semideus e agora está sendo julgado pelo STJ (Supremo Tribunal Federal) que pode até ser preso.

Collor foi eleito no 2º turno, derrotando seu concorrente Luiz Inácio Lula Da Silva, o Lula. Já nos primeiros meses de governo Collor com a sua Ministra da Economia Zélia Cardoso, confiscaram a poupança dos brasileiros, muitos chegaram a morrer de desespero. Em 1992 sofreu o impeachment denunciado pelos seu próprio irmão, Pedro, por desvios e lavagens de dinheiro
Conheci a figura deplorável do nosso atual presidente Jair Bolsonaro, na época deputado federal. através do programa CQC (2008-2015) conduzido por Marcelo Taz na BAND, ficava completamente abismado com seus depoimentos homofóbicos, machistas, racistas e fascistas, apoiador de torturadores, como o Brilhante Ustra, que foi um verdadeiro monstro, querendo a volta do AI-5 (Ato Institucional nº5 de 1968, o “terror no poder”) ficava abismado com tudo que dizia, um elemento que não serviria nem para o cargo de síndico de condomínio pequeno. Não deram a devida importância com os absurdos e crimes que ele dizia e cometia, achavam que era apenas um destes maluquinhos (que tem muito mais dignidade que ele) de praça do interior.

E não é que este cara foi eleito Presidente do Brasil. E agora vejamos o caos absoluto que ele está hoje, desgovernado. Nosso país, que é tão belo, se tornou um “Estado Paria” (ação cuja conduta é considerada fora das normas internacionais de comportamento por parte ou por toda a comunidade internacional como a Organização das Nações Unidas ou por algumas das grandes potências.) Intencionalmente.

O palhaço Tiririca, outra figura bizarra da nossa política, com 1,3 milhão de votos, foi o deputado federal mais votado no ano de 2010.

Tiririca usou um lema na sua campanha e foi um verdadeiro profeta, que pode ser aplicado perfeitamente nos dias de hoje: “Pior que tá não fica”.

O palhaço tinha e tem toda a razão.
Até a próxima….

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