Um mestre

De uma coisa tenho a máxima certeza em relação ao jornalista Alberto Isaac, como vocês sabem, exímio cronista deste “Correio de Itapetininga”, titular da seção “Vivas Memórias” do suprimento de Cultura deste jornal. Nunca, mas nunca ele irá contentar-se em ler qualquer texto no computador ou internet (que Alberto pouco usa). Para este cronista, um jornal, uma revista ou um livro é puro fetiche, um amuleto ou mesmo objeto de desejo. Não basta ler, é necessário carregar o material (jornal, revista ou livro) para cima e para baixo, folheá-lo, amassá-lo, até mesmo cheirá-lo e sentir o calor do texto impresso.

Para Alberto Isaac, decano dos jornalistas itapetininganos, é preciso mostrar para todos o que estamos lendo. Mais que isso, discutir o assunto, falar sobre o autor, analisar a capa (no caso de um livro), comentar sobre as ilustrações ou fotografias, polemizar sobre o assunto. Em suma, para ele, a vida só terá mais graça se tiver vírgulas, pontos de interrogações, ponto e vírgula, pontos de exclamações, aspas, pontos finais, reticências, parágrafos e tudo mais ao que diz respeito a construção de um texto na sua “velha” máquina de escrever. E todos os assuntos são válidos: política, cultura, sociais, esportes e tudo mais.

Sobre Itapetininga, Alberto Isaac já escreveu sobre tudo e sobre todos. Como em uma de suas primeiras crônicas neste “Correio” em 2005 um excitante artigo sobre a noite que estreou no então “Cine São José” (depois Palace na rua Venâncio Ayres, onde hoje é o Banco do Brasil) um dos filmes mais célebres do mundo, o norte-americano “E o vento levou”, produção de 1939, mas que passou aqui em Itapetininga em 1941. Em seu texto, Alberto Isaac consegue exprimir toda a ansiedade dos cinéfilos desta cidade diante daquela obra, com vários prêmios “Oscar”. Ou seja, o ambiente antes da estreia do consagrado filme, o nervosismo do pessoal que trabalhava naquele cinema, entre estes, ele próprio, inclusive, a reação da plateia diante das quatro horas de projeção, o término da película, as adjacências do Cine “São José”, a vida noturna daquela época onde tudo girava em torno do Largo dos Amores, hoje chamado de “Centro Velho”.

O “Bar Rodovia” local de encontro de populares e intelectuais desta urbe, um local extremamente democrático. Enfim, uma crônica-reportagem daquela noite um tanto rara, tanto que deveria estar num acervo sobre esta cidade.

E outra crônica, esta, bem mais recente, sobre uma borboleta itapetiningana que molestava um cidadão (também itapetiningano) e teve um final trágico, ela, a borboleta. Alberto Isaac em seus escritos consegue transformar um fato bem local em uma vivência universal. E isto não é nada fácil, mas Alberto consegue.

Como tantas e tantas outras, que o cronista escreveu suas manifestações sobre Itapetininga serão (ou já são) objetos de pesquisas, muitas, para quem quiser conhecer um pouco mais (ou muito!) sobre esta “Athenas do Sul” paulista. Agora, no início de setembro quando o decano completa noventa e tantos anos de idade, continuará sim observando (e registrando) as “coisas que estão no mundo…”.

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