Uma senhora e suas lembranças

“Postada discretamente atrás da janela de sua residência, na Rua Virgílio de Rezende, em uma leve penumbra, Maria de Lourdes Bertolli de Moraes, observava, neste último domingo, ao entardecer, a procissão formada frente à Igreja das Estrelas, encerrando a festa religiosa, que se proclamou por uma semana.”

 

Postada discretamente atrás da janela de sua residência, na Rua Virgílio de Rezende, em uma leve penumbra, Maria de Lourdes Bertolli de Moraes, observava, neste último domingo, ao entardecer, a procissão formada frente à Igreja das Estrelas, encerrando a festa religiosa, que se proclamou por uma semana.
Maria de Lourdes, carinhosamente chamada de “Duda”, chega aos 89 anos e ainda não esqueceu que ao lado de seu saudoso esposo, Aristeu Correa de Moraes e um grupo de abnegados cristãos, trabalhou longos 17 anos para a idealização e construção do Conjunto Assistencial Socio-Cultural desta cidade, atendendo famílias carentes da comunidade e tendo como mentor o estimado Cônego João Bloes Neto, atualmente a majestosa Matriz N.S. das Estrelas , cujo pároco hoje é o Padre Lorival.
E foi também, naquela Igreja que, por mais de duas décadas, exerceu o Ministério da Eucaristia, aliás, a primeira mulher a ocupar essa função no credo católico em Itapetininga, isto por forte convicção e prerrogativa de cumprimento de uma missão sublime.
Espírito alegre e descontraído, disposta a resolver problemas de quem a procurasse, teve participação saliente em atividades filantrópicas, tanto que com dinamismo e atuação invulgar, integrou o Lions Club desta cidade, destacando-se sobremaneira em suas ações. Muitos ainda lembram plenamente de Duda, como ativa colaboradora no Departamento de Urbanização e Serviços Públicos da Prefeitura Municipal e como acentua o historiador José de Almeida Ribeiro, “época em que a cidade deslumbrava pela total limpeza e higiêne de ruas e a graça e beleza das praças existentes”. Ela primava em prestar auxílio a qualquer entidade social e benemérita, não importando o credo, a raça ou a situação econômica. Para ela, todo ser humano merecia respeito e tratamento digno e sério.
Maria de Lourdes, a “Duda” para todos, que passou a residir em Itapetininga com dois anos de idade, frequentou os bancos da escola Adherbal de Paula Ferreira e, com muita perseverança diante das dificuldades encontradas na vida, concluiu o magistério pela conhecida “Peixoto”, isto, no longinquo 1949, lecionando por 31 anos.
Um de seus orgulhos residiu no fato de ser idealizadora e mentora do “Memorial Cônego João Blóes Neto”, que se ergue sobranceiro na praça do mesmo nome, inaugurada em novembro de 2002.
Antecipando o lembrado e tormentoso “31 de março de 1964”, quando o país viveu momentos de pertubação, surgiu em São Paulo a denominada”Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, criada e encabeçada por mulheres paulistas. Em Itapetininga, na noite do dia 31 de março, as ruas foram tomadas por centenas de pessoas, promovendo a “marcha” cívica concentrada no Largo dos Amores (Praça Marechal Deodoro) . O ato culminou com inflamados discursos, em palanque (préviamente preparado) . A comissão se fez representar por Maria de Lourdes, a Duda, proferindo palavaras sobre o movimento, ao lado de Ciro Albuquerque, Sidney da Cunha, Murilo Antunes Alves, Joaquim Ribeiro, Olavo Hungria, Zica Borba, entre tantos outros. Apesar de toda a boa vontade e empenho, o que não sabiam é que estavam dando sustentação à uma futura ditadura militar, que governou o Brasil pelos posteriores 25anos (64/89).
Duda foi consagrada pela população itapetiningana através da conquista de uma cadeira no Plenário da Câmara Municipal. Exerceu a vereança no período de 1997 a 2000, trabalhando neste seu mandato, com desempenho considerado ótimo, apresentando projetos sociais, uma de suas plataformas políticas. Agora, com idade provécta, Duda continua sendo para a comunidade e , principalmente para seus filhos Aristeu (arquiteto), Rita de Cássia, oito netos e oito bisnetos, um exemplo a ser imitado.

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