ÚTEIS E DESVALORIZADOS

Existem profissões e ocupações que gozam de prestígio junto à sociedade, pelo contraste entre o muito que desempenham e o pouco que recebem.
Sem o ranço da autoridade, tais atividades não costumam frequentar manchetes escandalosas, e seguem, utilíssimas, a rotina de beneficiar a todos. Por rotineiras e continuadas, são, em regra, pouco percebidas, eis que integram a cena do dia-a-dia.
Bombeiros socorrem situações extremas, como acidentes graves e incêndios, arriscando a própria vida. Não é fácil procurar corpos humanos em águas turvas.
Médicos socorristas aplicam seus conhecimentos em situações externas de urgência e emergência, buscando preservar a vida alheia até que o socorrido chegue a unidade de atendimento mais próxima. Sem cadastros, identificações, consultas ou qualquer outra formalidade, atendem pelo simples fato de haver uma vida em risco.
O lixeiro, que passa incógnito recolhendo restos alheios, é verdadeiro atleta social, perseguindo, por horas a fio, o caminhão de coleta, que determina a velocidade do serviço. Muitas vezes, é obrigado a pegar dezenas de saquinhos de supermercado, que poderiam estar contidos em uma só embalagem. Conhece, pela obra, todos os cães do percurso.
Varredores de rua e calçadas agrupam e coletam tudo o que deveria estar em lixeiras, de fezes animais a impressos, folhas e embalagens plásticas. Competem, em pouca visibilidade e elevada relevância, com limpadores de banheiros públicos.
Entregadores dos Correios cuidam de distribuir correspondências e produtos, de cartas emocionadas a irritantes boletos de cobrança. Memorizam nomes, endereços e cães raivosos, e estão cada vez mais submetidos à criminalidade, vítimas fáceis de roubos.
Tamanha relevância social costuma ser premiada, excepcionalmente, com rápido e impessoal agradecimento. Em ocasiões especiais, o ofício rende-lhes um panetone.
Não costumam figurar em placas identificadoras de logradouros, e não há registro de ruas, praças ou viadutos com o nome de Lixeiro José, Socorrista Antonio ou Bombeiro Gabriel. Constituem o elo fraco e irreconhecido de nossa sociedade, verdadeiros heróis anônimos.
Aprendemos, no dia-a-dia, a cultuar doutores e poderosos, celebridades e extravagantes notórios. Aprendemos a não valorizar as rotinas e seus operadores.
Ricos, pelo simples fato da riqueza, são comemorados, e funcionários graduados, pela eiva do favor potencial, acabam louvados. Na verdade, a sociedade é silenciosamente grata aos operadores de rotinas, e só exterioriza tal reconhecimento quando da falta ocasional dos serviços.
Deve ser estranha a sensação de inexistência e exclusão, dos utilíssimos trabalhadores que operam sem sequer a atenção de um simples “-bom dia” ou um mero “obrigado”.

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