Vigiai e Orai

O culto começou na sexta-feira, dia vinte de agosto de um mil novecentos e noventa e nove, às vinte horas, numa pontualidade invejada até pelos britânicos. O dirigente era o Presbítero Rodolfo que, na pressa, estacionara o carro onde as guias estavam rebaixadas. O vizinho, dono da garagem, embora cordato, pois sempre recebe os eflúvios pacíficos do Presbítero emérito Sr. Antão, estava cansado e queria descansar.
O Presbítero Dr. Arnaldo é convidado para orar. Todos abaixaram a fronte, refletindo no rosto e no cenho fechado, uma espiritualidade só vista nos seminaristas presbiterianos. Todos oravam com o Presbítero, pois acompanhavam com um amém prolongado no final de cada pedido, suspirando sempre, numa aspiração da glória eterna. A contrição era notória, a consagração era grande e o silêncio era geral.
Quando o Presbítero encerrou a prece, todos disseram um amém prologado, e alguns, até duplo. Abrindo os olhos, viram que o lugar do dirigente estava completamente vazio. Um olhou para o outro sem saber o que havia acontecido e eu, como tenho sempre as lições de Teologia, numa presença de espírito inigualável, desculpe a modéstia, disse: O Presbítero foi arrebatado e nós, pobres pecadores, ficamos. Alguns riram, mas uma senhora que não fechara os olhos, pois fora atender o vizinho, disse, numa calma sem par, que o dirigente fora tirar o carro que impedia a entrada do morador do lado.
Não houvera o tão esperado arrebatamento, porém, causou, não há dúvida, um susto em todos os que estavam com os olhos fechados, acompanhando a oração de quem falava com Deus, completamente desligado deste mundo tão pecaminoso.
Hoje, lembrando-me do episódio, pois a idade faz lembrar do que foi e não será mais, cito as palavras do Mestre dos mestres, dirigidas a Pedro, o apóstolo: “ Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”. É verdade que as palavras de Cristo estão fora do contexto, não me entendam mal.
(Os nomes são fictícios, mas o fato foi real.) Procure, caro leitor, entender as palavras de Cristo no seu sentido verdadeiro. O teólogo João Beatty Howell afirma “que nas palavras de Cristo encontramos mais uma advertência do que uma repreensão. É como se o Senhor dissesse: Ó Pedro, tu que asseveraste estares pronto a morrer comigo, nem forças suficientes tiveste para vigiar comigo uma hora? Sem dúvida cedeste apenas à fraqueza natural do homem, mas essa fraqueza de que te não lembraste quando fizeste tão arrojada afirmação de tua lealdade, é uma coisa com que deves contar nas provações que te esperam”.

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