Domingo é dia de eleição.
É dia de rever amigos e parentes que moram em outras cidades, de acender a churrasqueira e, se houver ambiente para tanto, comentar candidatos e campanhas. É ainda dia de comemorar o sagrado e sempre benquisto silêncio dos carros de som.
A campanha foi pobre, sem a distribuição de réguas, canetas, camisetas, lixas de unha, chaveiros e tantas outras bugigangas que animavam as campanhas de outrora. Pelo menos de forma visível, não foram entregues tijolos, dentaduras, dinheiro e outras utilidades.
As camisetas foram as bugigangas que mais saudades deixaram. Após o pleito, serviam como pijama, uniforme de serviço e pescaria, terminando os dias como panos de chão.
Sem a doação declarada de pessoas jurídicas, a maioria dos empresários honestos ficou livre do constrangedor assédio dos arrecadadores de campanha. Até que enfim, pessoas jurídicas deixaram de ter paixão política e partidária, agora confinada a seus controladores.
A inovação não foi bem aceita em parcelas consideráveis do mundo político, e deverá passar pelo risco de extinção. Até o caixa dois acabou dificultado, pois é temerária a campanha suntuosa e milionária.
Mais uma vez, o instituto da reeleição maculou as urnas, com os abusos de sempre. A reeleição impede a livre disputa, e faz das prefeituras poderosos palanques, com direito a favores e pessoalidades de toda ação oficial, custeada, sempre, com recursos públicos.
Candidatos, mais uma vez, fizeram das religiões objetos de campanha, como se fossem devotos desde crianças. Só não usaram véus para não serem flagrados no mais hediondo dos teatros.
Além do costumeiro amor a crianças e idosos, não é impossível que algum candidato, Brasil afora, tenha chorado copiosamente ou simplesmente lacrimejado, ao lembrar dos problemas da população de algum bairro carente.
Alguns candidatos chamam a atenção, pela maneira como encarnam figuras divinas, verdadeiros deuses, campeões de eficiência com a missão de transformar a cidade em moderna metrópole, onde a pobreza e a miséria simplesmente não existam.
Com todos os problemas que afligem o país, é justo que a população saiba discernir aventureiros ambiciosos de candidatos bem intencionados, religiosos de ocasião de fiéis sinceros, que não usam a religião e a fé como fonte de criação de imagem distorcida.
A eleição ocorre domingo. Os eleitos herdarão prefeituras em profunda crise, pela queda da arrecadação, própria ou repassada.
Muitas já atrasam salários e congelam obras. Para os administradores novatos, basta que expliquem a crise e saibam eleger prioridades.
Para os reeleitos, será difícil explicar que sabiam da existência da crise, mas mesmo assim transformaram a cidade em canteiro de obras e discursos. Mas, aí, já estarão reeleitos !
Café das Magnólias promove encontro de empreendedoras na Casa da Cultura
O Café das Magnólia promove no sábado, dia 21, às 14h, um encontro voltado a empreendedoras de brechó, moda circular e pessoas interessadas em consumo consciente, na Casa da Cultura....














