Quem gosta de teatro na cidade e assistiu uma peça do grupo Tapanaraca, conhece o líder da trupe, Fábio Jurera. O que pouca gente sabe, que o diretor é um nerd convicto cujas influências dos quadrinhos foram fundamentais para que desenvolvesse sua narrativa e poética teatral.
Ainda menino aguardava ansioso o retorno do tio, Maximiano, das inúmeras viagens que este fazia como funcionário do DER. Adorava quando o “seu” Max lhe trazia um delicioso hot-dog. Porém uma noite o menino foi surpreendido, não pelo delicioso cachorro-quente, mas por duas HQs: uma do mágico Mandrake e outra do Hulk. Maravilhado, Fábio descobriu um novo universo. E o melhor de tudo: que não precisava esperar dias para ver seus dois seriados favoritos na TV, “Batman” com Adam West e “O Incrível Hulk” com Bill Bixby e Lou Ferrigno. Aliás, o gigante de esmeralda criado por Stan Lee e Jack Kirby, foi o personagem com o qual o menino melhor mais se identificou, primeiramente pelo seu biotipo, e depois, como tinha de lidar com sua força e com a estranheza das pessoas diante de sua aparência.
Talvez a sua idolatria pelos quadrinhos seja também proporcional a sua paixão pelo cinema norte-americano. Jurera tornou-se um aficionado por locação de VHS e alugava de cinco ou seis fitas por semana. Conta que um dia estava na casa da irmã e um grupo de crianças se reuniu para assistir “A Noite dos Mortos-Vivos”, de George Romero. Como era de outra faixa etária, o grupo não o deixou assistir o filme. Sorrateiramente, Fábio invadiu a sala e sem que perceberem, atrás do sofá ouviu todo o filme e, o mais importante, as reações da plateia mirim. Este momento foi transformador na vida do encenador de “Carfax”, o que ele define ser uma perfeita sinergia, ao criar “histórias que prendem o público pelo medo ou suspense, a ideia que você é a vitima e deve lutar. Enfatizo a catarse, que une o público e elenco. Gosto de ‘aprisionar’ a plateia durante os momentos que o espetáculo exige atenção”.
Em 1992, as férias da família se estenderam no litoral e os pais perderam o último dia de matrícula na escola onde Fábio estudava. Conseguiram uma vaga na escola Professor Ataliba. Indisciplinado, Jurera conheceu a Dona Crisanti. A professora resolvia os problemas de disciplina em suas aulas com teatro e exigiu que a turma do “fundão” montasse o texto “As Desventuras do Sr. Vampiricus”. Resistente, inicialmente, como todos os seus colegas, Fábio foi se entusiasmando com aquela experiência. Comprou uma revista que ensinava a se maquiar e fez sua primeira caracterização, para o personagem Bondadis Supremus. O sucesso foi estrondoso. E os estudantes repetiram a apresentação nos outros turnos da escola. A sensível professora percebeu o talento do jovem e o convidou para fazer o papel de narrador na peça “Romeu e Julieta às Avessas” em outra escola onde lecionava, no Ernesta Orsi. Na plateia estava Jorge Abelardo, do grupo Ciranda da Lua, que o convidou para fazer parte da jovem companhia. A partir daí, Fábio começou um caminho sem volta, primeiramente atuando e depois, como diretor contabilizando hoje em torno de 120 a 150 trabalhos.
Recentemente voltou a atuar na série “Carcereiros” e ficou empolgado com a experiência de conhecer in loco uma produção global. E deseja um dia ter uma boa equipe de filmagens para dar condições aos artistas criarem aquilo que desejam.
(Milton Cardoso)
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