No último dia 19, houve momentos inesquecíveis no teatro do Sesi de Itapetininga. Pela primeira vez reuniram-se no palco representantes de várias gerações da cena teatral da cidade. Entre os destaques da noite estava Léa Pellegrini, esbanjando simpatia e bom humor, ao lado da sua irmã, a também talentosa Olga.
Léa fez parte do Grêmio Dramático “Venâncio Aires”, grupo dirigido por seu pai, Humberto Pellegrini. No início fazia curtas participações nas peças da companhia, mais tarde assumiu o papel da “mocinha” na montagem “A Ditadora”, ao lado dos maiores artistas da época: Maria de Souza e Carlos Conceição. Dona de uma comunicabilidade fascinante pensou em seguir a carreira de atriz, porém foi aconselhada pelo pai a desistir da ideia.
Na década de 50, produtores procuravam na cidade uma atriz para fazer parte uma produção cinematográfica nipo-brasileira, “E a Paz Volta a Reinar” (1956). Procuraram Humberto Pellegrini que mostrou um álbum com as fotos de todas as atrizes da companhia, o produtor escolheu Léa para o papel de Marina.
O espírito “aventureiro” sempre esteve presente na sua vida. Por isto, aceitou ingressar na rede estadual e lecionar em Monte Castelo, distante de Itapetininga a quase 600 km, apesar da preocupação dos zelosos pais. Lá conheceu seu futuro marido, Mauro. Dois anos depois, foi residir em Promissão, onde se casou e teve os seus quatro filhos.
Retornou para Itapetininga em 1985. Pouco depois montou com o filho, o “Panqueca de Banana”. O bar foi o “point” da cidade. O ambiente reunia inúmeros artistas, que além de saborearem a deliciosa a culinária com receitas da família Pellegrini, ouviam boa música. Por lá passaram, entre outros, Beto Guedes e Ivan Lins.
Sempre estimulada pelos pais para o gosto pelas artes e a literatura, Léa e a irmã sempre ganhavam como presente revistas como a “Tico-Tico” e o “Gibi”. Tinham “carta branca” para escolherem os exemplares na banca do seu Roque. Com orgulho diz que esta herança foi repassada aos seus filhos.
Fã confessa de Ney Matogrosso, Léa ouve quase tudo menos “a música adoidada e com cantores desafinados de hoje em dia.”. Leitora voraz, guarda com muito zelo, um de seus livros preferidos: “Ainda Resta uma Esperança”, de J. M. Simmel. Atualmente vem se dedicando a leitura diária da Bíblia.
Da cidade, guarda na memória a mesma paixão quando chegou por aqui, procedente de Rafard, aos seis anos de idade, acompanhada do pai e da empregada Carolina. Hoje se recorda com muito bom humor das suas peraltices de criança e afirma com sabedoria: “Na vida é importante gostar de tudo.”.
(Milton Cardoso)
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