Numa tarde de 1987, uma menina de 10 anos com mais dois colegas entraram na antiga Câmara Municipal e solicitaram uma audiência com o prefeito, na época, Joaquim Aleixo. Na pauta da reivindicação estava a qualidade da merenda escolar da escola onde estudavam e da conservação e limpeza da cidade. Para surpresa dos jovens estudantes, o prefeito os recebeu, ouviu e anotou suas reclamações. No dia seguinte, um grande reboliço tumultuou a rotina daquela escola. A mãe da estudante, a dona Maria dos Prazeres, foi convocada pela direção da escola para prestar os devidos esclarecimentos aos pais. Ao sair da sala do diretor, a mãe olhou para a filha e disse: “Milene você é bocuda demais!”
Formada em Pedagogia, Milene França sempre lutou por causas sociais. Sua paixão pelo magistério começou na infância, através de um programa infantil exibido pela TV Cultura, o “Bambalalão”. Porém, ao ser sensibilizada através de um curso de formação ministrado por Abanize Aredes, houve uma reviravolta em sua trajetória profissional. Emocionada com a oficina, ela relembrou da sua infância no colo da mãe, D. Prazeres, quando ouvia infinitas estórias. Ao chegar na sua casa, leu para o filho o poema que questiona acerca da morte da avó, “Onde será que ela está?”, de Ricardo Azevedo, que remetia as suas memórias afetivas. Para Milene, é a partir desse momento que ela começou a usar sua voz para despertar sonhos, “repartir a palavra”, começando a se especializar na arte de contar estórias
Outra influência do bojo familiar veio da tia Heycla, uma contadora de estórias do cotidiano. Mais tarde, outras referências fundamentais em sua arte de contar estórias foram os contadores Giba Pedroza, Kiara Terra e Lili Flor.
Inicialmente, Milene encantava seus alunos com suas estórias dentro da sala de aula da EMEI Valter Aliberti Junior. A atividade lúdica chamou a atenção da comunidade e da Secretaria Municipal da Educação. Em 2013, a professora foi convidada para desenvolver projetos de leitura na Biblioteca Municipal. Milene estima que durante os últimos quatro anos, como narradora, ela tenha atingido mais de dez mil alunos, em escolas da cidade e da zona rural.
Milene é uma pessoa que gosta das coisas mais simples da vida: encontros que a façam sorrir. Suas lembranças marcantes são os encontros natalinos com a família na cidade de São Miguel Arcanjo. As conversas eram sempre regadas por estórias de sabedoria popular acompanhadas por deliciosos pratos preparados pelas tias, na véspera do Natal na casa da avó Maria Joaquina e, no dia 25, na casa da tia Clarice. Além, de trazer consigo como herança familiar a arte de bordar e costurar.
A contadora também é escritora e poetisa e desde do ano passado, membro da Academia Itapetiningana de Letras. Atualmente está envolvida com novos projetos de leitura na biblioteca comunitária Domingos Portella, no centro da cidade, e com a biblioteca itinerante. Traz consigo uma utopia: tornar Itapetininga uma cidade de leitores. Entende que para a realização deste sonho, se faz necessário entre outras práticas, a formação de promotores de leitura, a visita de autores em espaços públicos e bibliotecas com mediadores.
(Milton Cardoso)
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