A débil conjuntura musical independente de Itapetininga, aliada ao baixo investimento dos produtores de cultura, tanto públicos como privados, mostra-se como um bloqueio aos músicos da cidade, que carecem de espaços e apoio para a produção e divulgação do trabalho. Os raros focos de resistência da contracultura interiorana desvanecem e, vagarosamente, a cena desaparece.
Há anos que a cena musical da cidade é algo inconsistente. “É difícil definir a cena itapetiningana por que ela apenas existe pra uma parcela extremamente pequena de pessoas que estão contra a correnteza poderosa do ‘mainstream’ [‘fluxo principal’].”, diz o baixista da banda ‘Strawberry Licor’, Raoni Rocha.
O baixista Raoni Rocha, diz que a cena é baseada no apoio entre os artistas de Itapetininga. “A ‘cena’ é algo muito subjetivo no universo da arte ‘underground’ [cultura alheia ao modismo]. A premissa disto, é algo baseado em apoio mútuo entre os próprios produtores desse tipo de conteúdo.”
O músico e produtor Luciano Ayub reforça a ideia da cooperação na cena independente. “Não temos muito espaço para música independente, por isso temos que aproveitar ao máximo quando alguma porta se abre. Fazemos onde conseguimos e sempre de maneira cooperativa.”
A falta de espaços que apoiam a cena autoral é grande, como explica Raoni. “Toco há 4 anos com a ‘Strawberry Licor’, produzindo música autoral e durante esse período, tocamos apenas oito vezes na nossa própria cidade, sendo que a metade desses eventos nós produzimos com a ajuda de outras bandas.”
Ao comparar com cenas de outras cidades, o instrumentista e produtor Gabriel Wiltemburg nota diferenças na questão de apoio do público. “Quanto ao público, nunca foi problema. Mas, comparando com Sorocaba, não há muito apoio, o ‘merch’ não vende muito e os compartilhamentos em redes sociais são raros.”
A guitarrista Daphane Nadine, iniciou suas atividades na cena há três meses, com a banda ‘Trio’, e espera que a cena evolua. “Espero que haja cada vez mais espaço para mostrarmos nossos trabalhos, e que a galera abra mais a cabeça pro autoral, perceber que há muita coisa boa aqui por perto que vale apena ouvir.”
Com expectativas, Raoni almeja o crescimento da cena. “Acredito que cada vez mais existam ‘malucos’ com disposição de encarar esse gigante [‘mainstream’] pois, particularmente, nunca conheci tanta gente bacana, que me dá folego para seguir, como nos últimos anos e agradeço por isso.”
Pontos MIS promove programação gratuita de cinema em março
Durante o mês de março, a Casa da Cultura recebe uma programação especial do Pontos MIS. Serão quatro sessões gratuitas, realizadas às quintas-feiras, e uma oficina formativa, propondo um percurso...















