A montagem “Simplesmente Francisco”, da Associação Cultural Théspis, que estreia no próximo dia 28, na igreja da Matriz, marca o reencontro do ator Clodoaldo Dias, mais conhecido como Clodd, com a sua primeira diretora, Margha Blóes. Foi no ano de 1991, depois de uma não tão bem-sucedida apresentação escolar na Fernando Prestes, que o jovem tímido residente na Rua General Glicério, recebeu o convite dos integrantes do Théspis, para fazer parte da semiópera “Introitus”, que Clodd resolveu fazer teatro para vencer a sua timidez.
Inicialmente, Clodd fazia a parte técnica e a produção, mas no desenrolar do processo, se envolveu com a montagem, passando a fazer parte do elenco. Como nenhuma atriz se fixava no personagem de Cenerentola, a Vênus doméstica, Clodd foi se preparando para o papel. Quando Margha definiu que ele seria Cenerentola, ele estudou por mais de um ano, o sotaque e a entonação da língua italiana com a Dona Emília Ferrari, emprestando ao personagem características tragicômicas. O resultado foi um sucesso, quando a peça estreou em 1995.
Depois de uma intervenção cênica numa fazenda em Guareí, Margha e Clodd só trocaram cartões de Natais. Depois voltaram a se comunicar por e-mail e mais tarde, pelo Facebook. Esse ano, com uma pausa na sua agenda profissional, Clodd aceitou o convite da teatróloga para fazer uma pequena participação na encenação. Apesar do pouco tempo de ensaio, ele está animado: “Gosto de estar em cena, isto me alimenta!”, define.
Antes de se tornar ator profissional, ainda em Itapetininga, trabalhou com João Carlos Luz nas peças “O Rei da Vela” e “Viúva, Porém Honesta”. E contrariando o desejo da mãe, Dona Lúcia, que gostaria que ele se formasse em Direito, Clodd trancou a matrícula no curso na FKB e fez um teste na escola Célia Helena. Aprovado, em 1998, estudou durante três anos com Marcelo Lazzaratto, Nelson Baskerville, entre outros profissionais.
Em 2000, para manter-se em São Paulo começou a trabalhar de garçom no Azucar Club Cubano. Foi um período difícil, que prejudicou seu desempenho no Célia Helena. No último semestre, para se dedicar ao espetáculo de formatura, “Fragmentos do Discurso Amoroso”, tirou uma licença do restaurante. Formado, atuou em diversas peças como: “Nos Campos de Piratininga”, “Camiño Real”, “A Alma Boa de Setsuan”, entre outras. Mas aponta, o musical “Luz Negra”, com a Cia Pessoal do Faroeste, como um dos seus trabalhos marcantes.
O espetáculo musical era sobre a Frente Negra Brasileira em São Paulo. O movimento foi criado em 1932 e revelava as várias facetas da participação dos negros no contexto político, cultural e social da época. Com a instauração da ditadura do “Estado Novo”, em 1937, o movimento foi extinto pelo governo de Getúlio Vargas.
Como a montagem ganhou leis de incentivos culturais, possibilitou ao elenco uma estabilidade financeira fundamental para se dedicarem a montagem e as viagens pelo Estado. Além da temática riquíssima do empoderamento do negro na sociedade paulista na década de 1930, “Luz Negra” também possibilitou ao ator trabalhar com a atriz Mel Lisboa, de quem era fã por causa do seriado global “Presença de Anita”, de 2001.
O que poucas pessoas em Itapetininga sabem, é que Clodd é também um ótimo cozinheiro. Inclusive ele participou da primeira edição do reality show da GNT, “Cozinheiros em Ação”, comandado por Olivier Anquier, em 2013, sendo desclassificado na quarta etapa do programa. Sua especialidade são as comidas salgadas, principalmente a panqueca e a galinhada. Ele credita este dom à mãe e a avó, Nair, mestras nessa arte de cozinhar. E lembra com carinho da deliciosa torta de abacaxi que a Dona Nair preparava com carinho em sua infância.
Residindo provisoriamente na sua cidade natal, Clodd ainda está empolgado com a sua participação como Quixaba no curta “Lugar pra Ninguém”, de Fabiana Carlucci, rodado em 2016. Este filme conta a história de amor entre Quixaba, um garoto que se vê como menina desde sempre, e Xavier. E projeta como desafio em sua carreira atuar na TV.
(Milton Cardoso)
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