Em Itapetininga, a maioria das famílias atendidas pelo Bolsa Família é chefiada por mulheres. Dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) mostram que 86,3% dos responsáveis pelo benefício no município são do sexo feminino. Em março deste ano, o programa atendeu 7.973 famílias e beneficiou 22.153 pessoas.
Do total de beneficiários, 12.955 são mulheres, o que representa 58,5% das pessoas atendidas pelo programa na cidade. A predominância feminina é ainda maior entre os responsáveis familiares — pessoa cadastrada para receber o benefício em nome da família. Dos quase 8 mil cadastros ativos no município, 6.882 estão em nome de mulheres.
No período, foram repassados R$ 5.253.332 às famílias da cidade, com benefício médio de R$ 673,07. A maior parte dos recursos, R$ 4,5 milhões, foi destinada a famílias com cadastro em nome de mulheres, de acordo com o MDS.
Realidade nas famílias
Para algumas beneficiárias, o valor recebido ajuda a complementar a renda e garantir despesas básicas.
Maria Aparecida, de 38 anos, diarista e moradora da Vila Mazzei, conta que o benefício ajuda principalmente na alimentação da casa. Mãe de dois filhos, ela diz que o valor faz diferença quando o trabalho diminui. “Tem mês que não tenho tanta faxina, então o Bolsa Família ajuda a comprar o básico, arroz, feijão e pão”, afirma.
Por que as mulheres são maioria
De acordo com a professora de geopolítica e mestre em relações internacionais Paula Granato, a predominância feminina no recebimento do benefício está relacionada tanto à vulnerabilidade econômica quanto ao desenho das políticas públicas.
“As famílias chefiadas por mulheres costumam ser mais vulneráveis do que aquelas em que o homem é o responsável, principalmente por causa da diferença salarial, que pode chegar a cerca de 30%”, explica.
Segundo ela, estudos também indicam que programas sociais tendem a priorizar o cadastro feminino. “Organizações como o Banco Mundial, a ONU Mulheres e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada apontam que recursos administrados por mulheres costumam ser aplicados com maior eficiência no cuidado e bem-estar dos filhos e da família”, afirma.
Patrícia, de 41 anos, moradora do bairro Taboãozinho, trabalha de forma informal fazendo bicos como cuidadora de idosos e vendendo doces. Para ela, o benefício traz mais estabilidade no orçamento. “Quando aparece trabalho eu consigo completar o salário, mas quando não aparece o Bolsa Família ajuda a segurar as despesas mais básicas da casa”, diz.
Autonomia e desafios das mulheres
Granato também destaca mudanças na estrutura das famílias brasileiras. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam aumento no número de domicílios chefiados por mulheres. “O Censo de 2022 mostrou um crescimento de cerca de 50% nesse tipo de arranjo familiar. Ao mesmo tempo, o Bolsa Família prioriza o cadastro feminino porque as mães tendem a cumprir com maior frequência as condicionalidades do programa, como vacinação e frequência escolar das crianças”, afirma.
Para a especialista, receber o benefício pode ampliar a autonomia das mulheres dentro da dinâmica familiar. “Quando a mulher tem alguma autonomia financeira, ela consegue planejar melhor o consumo e a segurança alimentar da família sem depender da autorização masculina”, diz.
Por outro lado, Granato explica que o cenário também revela desafios sociais. “Além dos salários mais baixos, o grande número de famílias chefiadas por mães solo aponta para abandono afetivo e material por parte de homens. As estatísticas mostram que as mulheres dedicam quase o dobro do tempo aos afazeres domésticos e ao cuidado com a família”, afirma.
Rosana, de 29 anos, auxiliar de limpeza e moradora do Jardim Brasil, é mãe solo e vive com cinco filhos pequenos. Ela diz que o benefício ajuda a manter as contas da casa. “Não é um valor alto, mas ajuda muito. Às vezes é o que garante o leite e algumas coisas para as crianças comerem, estou tentando arrumar um emprego melhor para não depender do benefício”, relata.
Outras políticas públicas
Para apoiar mulheres responsáveis pelo sustento da família, a especialista destaca a importância de políticas complementares.
Segundo Granato, medidas como creches e escolas em tempo integral, programas de qualificação profissional e iniciativas como restaurantes comunitários podem ajudar a reduzir a sobrecarga de tarefas domésticas e ampliar as oportunidades de trabalho para essas mulheres. “O apoio psicossocial também é sempre necessário”, conclui.
Entenda os benefícios do Bolsa Família
Para receber o Bolsa Família, a principal regra é que a família esteja inscrita no (CadÚnico) e tenha renda mensal de até R$ 218 por pessoa. Isso significa que toda a renda gerada pelas pessoas da família, por mês, dividida pelo número de pessoas da família, deve ser de, no máximo, R$ 218.
Todas as famílias beneficiárias recebem no mínimo R$ 600. Além disso, o programa é composto por diferentes tipos de benefícios, que variam conforme a composição e a renda das famílias.
Em Itapetininga, os pagamentos de março de 2026 incluíram as seguintes modalidades:
- Benefício de Renda de Cidadania (BRC): Pago a todos os integrantes das famílias beneficiárias, no valor de R$ 142 por pessoa.
Em março, foram registrados 22.142 benefícios desse tipo na cidade.
- Benefício Complementar (BCO): Valor adicional pago quando a soma dos benefícios da família não atinge R$ 600 mensais, garantindo esse mínimo.
Em março, 7.251 benefícios foram pagos em Itapetininga.
- Benefício Primeira Infância (BPI): Adicional de R$ 150 por criança de até 7 anos incompletos, destinado às famílias com crianças nessa faixa etária.
No município, foram 4.304 benefícios pagos no mês passado.
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